sexta-feira, agosto 27, 2010

PAC views : Agricultura Brasileira

http://pac-views.blogspot.com/2010/08/agricultura-brasileira.html

por tcisalpino

Muito legal o Blog Pedrão, parabéns!

Quanto a reportagem tem coisas interessantes, a parte da diferenças do modelo da agricultura de baixo subsidio e pesquisa é forte mas ela peca em alguns aspectos do contexto. Dizer que o Cerrado está a centenas de quilômetros da Amazônia está bastante equivocado, são biomas adjacentes, e tem muita soja no MT plantada na zonas de transição. Outra coisa, o cara poderia ter explorado mais os dados, não são apenas grande propriedades, cultivos importantes como a cana em SP tem um modelo híbrido, café, somos o maior produtor, inteiro em pequenas propriedades, e toda a horticultura e alimentos básicos como arroz e feijão idem, é um fato relevante porque, afinal somos 180 milhões de estômagos. Do ponto de vista ambiental o Cerrado é um ambiente de altíssima biodiversidade mas altamente ameaçado, não estou dizendo para preservarmos e morrermos de fome, estudos da ESALQ mostram que o Brasil pode dobrar a área plantada sem derrubar mais nenhuma árvore. Temos 60 milhões de hectares de áreas agrícolas, e outros 60 milhões de em áreas aptas à agricultura ocupadas com pastagens de baixíssima produtividade. Se imaginarmos aumento de produtividade então aí dá pra quase quadruplicar a produção. É ingênua também essa visão de que esses ambientes de cerrado e savana são pobres então não se precisa preservar, são ambientes riquíssimos que também precisam ser protegidos ou bem manejados. Ele não disse exatamente isso mas o argumento dá margem para essa interpretação. O que a ciência diz hoje em dia, o que se lê na Nature, Science, é que a preservação, sistemas agrícolas bem manejados apresentam maior produtividade, por conta de fatores relacionados à disponibilidade de água, manejo do solo, polinização, reciclagem de nutrientes entre outros. Mas o ponto mais interessante da questão ambiental é que o país planta muito mas ainda preserva bastante, ainda temos 70% da Amazônia, uns 35% do Cerrado e 7% da Mata Atlântica...

segue abaixo algumas informações sobre o Cerrado, coitado, tão largado...

http://www.conservation.org.br/onde/cerrado/

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, localizado em uma grande área do Brasil Central. Por fazer fronteira com outros importantes biomas, (a Amazônia ao norte, a Caatinga a nordeste, o Pantanal a sudoeste e a Mata Atlântica a sudeste) a fauna e flora do Cerrado são extremamente ricas.

Na região existem mais de 10.000 espécies vegetais, uma grande variedade de vertebrados terrestres e aquáticos e um elevado número de invertebrados. Espécies ameaçadas como a onça-pintada, o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre, entre muitas outras, ainda têm populações significativas no Cerrado, reafirmando sua importância como ambiente natural.

Além da biodiversidade, os recursos hídricos da região ressaltam em quantidade e qualidade: nas suas chapadas estão as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, da Prata e do São Francisco.

Apesar do seu tamanho e importância, o Cerrado é um dos ambientes mais ameaçados do mundo. Dos mais de 2 milhões de km² de vegetação nativa restam apenas 20% e a expansão da atividade agropecuária pressiona cada vez mais as áreas remanescentes. Essa situação faz com que a região seja considerada um Hotspot de biodiversidade e desperte especial atenção para a conservação dos seus recursos naturais.

Estudos realizados pelos pesquisadores do Programa Cerrado da CI-Brasil indicam que o bioma corre o risco de desaparecer até 2030. Dos 204 milhões de hectares originais, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes estão bastante alteradas, podendo não mais servir aos propósitos de conservação da biodiversidade.

O desmatamento do Cerrado é alarmante, chegando a 1,5% ou três milhões de hectares/ano. Isso equivale a 2,6 campos de futebol/minuto. Esforços de todos os setores da sociedade são necessários para reverter esse quadro.

Veja ao lado o estudo sobre o desmatamento do Cerrado.

Durante o XIX Encontro Internacional da Sociedade da Biologa da Conservação, pesquisadores e ambientalistas assinaram uma moção pedindo ao governo federal medidas urgentes de manutenção e expansão das áreas protegidas do Cerrado. Para saber mais, clique aqui.


Depois desse parágrafo só falta agora eu votar na Marina...

terça-feira, agosto 24, 2010

Olá a Todos!

http://pac-views.blogspot.com/

Olá a Todos!

Inauguro hoje o Blog do PAC. Meu objetivo com esse blog é criar um espaço permanente para discussão de temas variados, que seja acessível ao maior número possível de pessoas e onde os textos possam ficar amarzenados.

A idéia surgiu a partir do grupo Força Popular (http://f-popular.blogspot.com/ ; forca-popular@googlegroups.com) onde vários amigos se mantém informados e trocam idéias sobre temas diversos. Nos últimos tempos venho amadurecendo a possibilidade de construir um blog pessoal e o PAC views é o fruto dessa idéia.

Encerro dando boas-vindas e convidando-os a participar do Blog e compartilhar suas idéias.

Grande abraço,

PAC

quarta-feira, julho 28, 2010

Os problemas do Brasil

Os problemas do Brasil são infinitos e infindáveis. São tantos quantos grãos de areia em copacabana, ou coisas desses tipos. São enumeráveis, crimes, pobreza, corrupção.. Os problemas do Brasil são do tamanho de um Brasil. O Brasil muda, mas não de lugar. O Brasil é o império sul americano, colônia dos mares. País do futuro, sempre no passado.

Mais um vez se coloca portanto a velha e periódica questão: vale a pena pensar na política, no futuro, enfim, nos problemas do país?? Coisas além de nossas ações, que se referem a dezenas de milhões de pessoas. Nem mesmo os governantes tem, de fato, consciência de suas ações. Eu sinceramente não sei. Nem mesmo se a política trará algo necessariamente bom.

Quem é o mais preparado para lidar com esse caos? O Brasil foi provavelmente a grande revelação entre os países do mundo na primeira década de 2000. Economia crescendo e inflação controlada. De quebra, uma redução razooável na pobreza. Mas o que se vê agora é que ainda há mesmo muito para se fazer. O desafio é totalmente imenso. O Brasil ainda é um país de favelas, de crimes, baixa tecnologia e produtividade, além de corrupção em alta, problemas de todos os tipos... As conquistas do governo Lula parece que estão indo embora com ele. A Dilma tenta de todo modo surfar nessas glórias, mas a população já está mais acomodada na tarefa de escolhes seus líderes. Se não mostrar a cara e apontar um futuro, as coisas vão complicar para ela, porque a era Lula já acabou.

Estão começando definitivamente as campanhas pela presidência, e uma sucessão de fatos levará à escolha do(a) novo(a) presidente. Por força do destino - ou não. As coligações, os apoios políticos, tudo será usado pelos candidatos para alcançar seus objetivos. Que nem uma pia ou um nariz sendo desentupido, dapois da frutração com a copa, finalmente as tensões irão colapsar e colocar as coisas em panos quentes da melhor forma possível, com as esperanças de um novo Lula.

terça-feira, abril 27, 2010

Irã - um caso a ser pensado?

POR CONTRIBUINTE, DA "FORÇA POPULAR":

Eu realmente acho que a visão humanitária não serve para nada, pelo menos para entender o caso do Irã. Repete-se que o Irã não pode ter a bomba, que isso seria um absurdo, pois seria uma agressão contra a humanidade. Mas a verdade é que o mundo está entulhado de ogivas nucleares, capazes de explodir o planeta várias vezes. Eu até acho que a principal agenda mundial deveria ser a questão dos direitos humanos, mas os políticos não se preocupam com isso, ou pelo menos empregam suas energias minimamente para isso. Está cheio de genocídios, chacinas, extermínios, torturas em massa ocorrendo pelo mundo, e ninguém dá a mínima para isso. Sem contar as crises humanitárias de fome, aids, malária, êxodos em massa de populações, etc. Os recursos, econômicos e políticos, empregados para combater esses problemas são mínimos, muito menos do que se emprega para tentar conter o desenvolvimento da bomba pelo Irã, porque esse, afinal, é um problema de Israel e, por extensão dos EUA.

O discurso que eles vendem é que os aiatolás são fanáticos, portanto, podem querer destruir todo o mundo. Isso é verdade; poder acontecer, pode, mas, primeiro, quais as condições para isso acontecer? Mesmo que o Irã venha a ter a bomba, Israel tem várias delas e pode retrucar de forma veemente rapidinho. Além do mais, com a capacidade nuclear que temos hoje, as potências chegam a uma condição de empate: desde a Guerra Fria, ficou claro que é impossível ir para o ataque frontal com outra potência militar. Não há incentivo para isso. Por outro lado, há incentivo para cada um se armar cada vez mais, mesmo que nem adiante muita coisa, estocando armamento, para aumentar a capacidade de barganha nas disputas políticas. Pelo menos o mundo ainda não aprendeu que isso também é meio sem lógica.

Segundo, os soviéticos também não eram fanáticos? Os russos nâo são fanáticos? Os chineses não são fanáticos? O Bush não é fanático? A verdade é que mesmo no caso das democracias nucleares, ainda existe um sério risco para todo o mundo de um louco querer usá-las de forma "errada". O extremismo tem voz no mundo todo, e em qualquer país nuclear, um grupo político radical pode ascender. Enfim, dados esses exemplos, minha tese é que, como regra de bolso, mesmo sendo um fanático, um líder não estaria disposto a fazer besteiras, porque restaria a ele uma boa dose de "instinto de sobrevivência".

Hitler é o caso mais lembrado, tanto pela sua expansão militarista, como pelo fato que ele resolveu se auto-destruir no momento em que viu que ele iria perder - logo, nem é tão irracional assim... Lógico que as potências européias da época erraram por terem imposto pesados danos alemães no pós primeira guerra e, no momento seguinte, terem apenas observado a militarização alemã e o início da expansão sem terem se armado em contraponto. Várias explicações podem ser tentadas para entender porque os países europeus agiram dessa forma; com certeza eles tiveram incentivos econômicos, políticos, etc, para agirem assim.

O que eu acho em relação ao Irã é que o mundo inteiro deve peitá-lo sim, mas, uma vez que o problema é principalmente dos EUA e de Israel, os países não nucleares podem conseguir mais benefícios com essa história. Primeiro porque, como citado, a agenda mundial está exageradamente voltada para essa questão do Irã - e de Israel, para variar. Existem mais coisas além disso para disuctir na ONU. A questão do meio ambiente, negligenciada pelo Obama, é só mais uma delas. Segundo, porque os países nucleares querem impedir que os países não-nucleares conseguiam a bomba, mas não fazem nada para desmantelar o próprio material, ou seja, ainda está enraizada a ideia de que quanto mais acumular ogivas melhor, pelo menos o país que assim se portar vai ficar parecendo, e apenas parecendo, mais poderoso.

terça-feira, abril 20, 2010

Belo Monte: Custos públicos e benefícios privados?

POR CISAL, DA "FORÇA POPULAR"
Em meio ao turbilhão de notícias e análises sobre Belo Monte é inevitável não dar um pitaco. Um consenso entre alguns especialistas de que o projeto serve principalmente à expansão da indústria de alumínio da Amazônia, setor extremamente intesivo em energia, por conta das características do processo de produção. O Pará tem um parque industrial importante desse segmento. Não à toa que a VALE se apresentou ao Leilão, já que ela tem participações em todos os grande projetos de bauxita e alumínio na Amazônia paraense. A bauxita, matéria prima básica da produção de alumínio, foi o último mineral metálico a ser descoberto, é uma lama na forma original, distante da aparência final, e o processo de transformação é super eletro-intensivo. A maior parte dos custos de produção dessa atividade são oriundos do consumo energético.

Fácil defender esse projeto sem ter visitado o sul do Pará, sem e conhecer o que os grandes projetos de desenvolvimento causaram na região. Simplesmente um caos, malária, praga de mosquitos, crescimento ultra acelerado, desordem urbana, violência altíssima, desmatamento absurdo. Tucuruí foi a primeira usina para viabilizar o pólo de alumínio paraense e até hoje gera problemas ambientais, relatados em inúmeras publicações científicas de inquestionável qualidade técnica. Outros estudos apontam que a energia de Tucuruí segundo alguns estudos é altamente subsidiada, e como tudo indica que será o caso de Belo Monte. Todos os impactos citados podem ser traduzidos em custos que foram extremamente mal dimensionados no estudo de impacto ambiental de Belo Monte, como demonstra o parecer de especialistas do Instituto Sócio-Ambiental.

Desenvolver um projeto de risco elevadíssimo, a custo ambiental que ainda nem sabemos adequadamente para subsidiar um segmento industrial específico deve ser alvo de ampla discussão pública, pois envolve uma situação de elevados custos públicos e benefícios privados altamente questionável. O processo de licenciamento deveria ter sido muito mais bem elaborado, quem leu os jornais nos últimos seis meses verá que o governo botou uma pressão fortíssima no órgão ambiental, diretores do IBAMA saíram ou ameaçaram sair, e foram aos principais jornais divulgar seu descontentamento. Merece destaque nesse contexto a atuação da ex-ministra Dilma Roussef na Casa Civil a frente do desenvolvimento desses grandes projetos, como as hidrelétricas do Rio Madeira, empreendimentos do PAC, etc. Notório no meio especializado sua atuação como rolo compressor na legislação ambiental brasileira. Pressão que resultou na saída da Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, como foi amplamente discutido na imprensa.

Não é questão de ser contra ou a favor do desenvolvimento, é questão de ser racional, um projeto desses tem grande chance de ter mais custos do que benefício. Diversos especialistas questionam inclusive sua viabilidade econômico-financeira, que se somada a um mundo de custos ambientais que não foram corretamente dimensionados deixa o projeto com um enorme potencial de ser tornar um fiasco. Situação criada em grande medida porque o próprio governo colocou uma enorme pressão sobre o órgão ambiental para aprovação do empreendimento à qualquer custo. Outro agravante notório fruto de muitas críticas nos últimos dias se refere ao modelo de concessão do empreendimento, que resultou na saída de importantes empreendedores do leilão.

Muitos especialistas também estão apontando a disponibilidade de fontes alternativas à construção da usina. Para se ter uma ideia o primeiro grande leilão de energia eólico brasileiro foi bem muito bem sucedido e se não me engano resultará em 2.000 MW de energia eólica no sistema, a média de Belo Monte é 4500 MW. Foi o primeiro leilão e está longe do potencial máximo.

Portanto não é um projeto fundamental para a segurança energética do país, é energia pra converter lama em alumínio com energia subsidiada e 80% de financiamento do BNDES. Produzir alumínio é bom para o país, gera empregos, renda, tributos e dólares, etc, mas eles que assumam todos os custos envolvidos e respeitem a legislação ambiental. O que não pode é governo fazer tudo de qualquer jeito e a qualquer custo e deixar a conta pra gente pagar.