segunda-feira, novembro 16, 2009

José Dirceu: Serra está provando do seu veneno

15 de Novembro de 2009 - 1h12

Atraso em obras, falta de recursos, de planejamento... é o que dá obras programadas com fins eleitorais, sem previsão orçamentária, iniciadas sem ter recursos internos para construí-las e sem que os empréstimos internacionais estejam garantidos.

Por José Direceu, no Blog do Zé
Obras do governo José Serra (PSDB), jeito tucano de governar. Vejam nos jornais de hoje. Eles, como sempre, até suavizam nos títulos. Poupam o nome do governador, falam que SP atrasa pagamentos e reduz ritmo de obras em estradas, mas você lê e descobre que são nada menos que 1.200 nessa situação — obras com ritmo de implantação reduzido ou paralisadas.

Segundo o Sindicato da Construção Pesada (Sinicesp), entre os programas prejudicados por essa falta de dinheiro está o Pró-Vicinais, a recuperação de 12 mil km de estradas no interior do Estado — iniciado em dezembro de 2007 — e que é a menina dos olhos, vitrine da campanha presidenciável de Serra para o Planalto em 2010.

O atraso no pagamento é de três meses e soma cerca de R$ 500 milhões revela o presidente do sindicato, Marlus Renato Dall'Stella. Mas o estado diz que é dois meses e metade desse dinheiro — R$ 250 milhões.

O secretário dos Transportes do governo José Serra, Mauro Arce, apresenta desculpas fracas que não justificam o que está ocorrendo: houve atraso nos repasses ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), porque não entraram no caixa R$ 700 milhões da concessão de rodovias e só agora o Estado recebeu 1/4 — R$ 600 milhões — dos empréstimos pleiteados junto ao BID e ao BIRD.

A suspensão ou paralisação de obras por falta de pagamento pelo atingiu proporções tão graves que o Sinicesp, representante das principais empreiteiras do país, marcou uma reunião para 2ª feira (16.11) para discutir a situação. O Sindicato admite adotar "medidas administrativas e judiciais" para suspender os contratos em atraso com o DER mas, pior: fala em "demissão em massa", e diz que já houve cortes.

E o sindicalista Wilmar dos Santos afirma que, nos últimos cinco meses, já houve cerca de 5 mil demissões acima do esperado para o período. "Tentamos falar com o governo, mas não conseguimos", diz Wilmar aos jornais.

Oposição sem rumo

O governo federal queima dinheiro com gastos improdutivos, investe pouco, incha a máquina pública, loteia o setor elétrico e atrapalha-se todo na hora de explicar um apagão em 18 Estados, mas a oposição silencia diante da maior parte dos erros, é tímida na hora do confronto e seu provável candidato em 2010, o governador José Serra, parece gostar mesmo é de criticar a política de juros do Banco Central (BC). Tudo isso é visível para quem acompanha o dia a dia da economia e das principais decisões do governo, mas o economista Rogério Furquim Werneck, da PUC-Rio, vai um passo além e faz uma advertência: para não serem vistos como anti-Lula, os oposicionistas ficam sem discurso e arriscam-se a entrar sem bandeira, ou com uma bandeira muito descorada, na disputa eleitoral.

Eleição à parte, o comportamento desses políticos chama a atenção também por outra peculiaridade. Ao concentrar as críticas na política monetária, o governador José Serra e alguns de seus companheiros escolhem o alvo errado. Em primeiro lugar, cometem uma injustiça. O BC é o único setor da administração federal com uma boa folha de serviços prestados nos últimos sete anos. Se a inflação se manteve controlada nesse período, foi por causa da manutenção de dois pilares da política econômica, o sistema de metas de inflação e o regime de câmbio flutuante.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem diploma de economista, mas entendeu perfeitamente esse fato. Sua reeleição foi muito facilitada pelo êxito da política anti-inflacionária. Sem isso, a redução da pobreza e da desigualdade teria sido muito mais difícil. O salário real teria subido menos - ou não teria subido - e os programas de transferência de renda teriam sido minados pela alta de preços. Alvo preferencial também de uma parte dos petistas, dos aliados de Lula e de alguns membros do governo, o presidente do BC, Henrique Meirelles, foi no entanto preservado. Nenhum de seus antecessores durou tanto no cargo. O presidente Lula não escolheu esse caminho só para agradar ao mercado financeiro.

O terceiro pilar da política econômica foi razoavelmente preservado no primeiro mandato do presidente Lula, mas vem sendo submetido a uma erosão cada vez mais perigosa. As tentativas cada vez mais evidentes de maquiar as contas, por meio de ajustes na meta fiscal, não permitem nenhuma dúvida. Se o governo tivesse agido com alguma parcimônia, contendo o desperdício, teria terminado o ano em condições financeiras muito melhores, apesar da crise e dos incentivos concedidos para o combate à recessão.

O desperdício continuará no próximo ano, porque o empreguismo, o aparelhamento e as bondades concedidas com dinheiro público vão continuar e servirão a propósitos eleitorais, mas nada disso parece impressionar a oposição. O governo conseguirá, sem a mínima dificuldade, a aprovação de um orçamento segundo as suas conveniências. Continuará queimando dinheiro, deixará de investir por incompetência, não por falta de verbas, e porá a culpa no Tribunal de Contas da União.

Em segundo lugar, a oposição erra na escolha do alvo porque a bem-sucedida atuação do BC é uma continuação de políticas adotadas a partir de 1999. Essas políticas deram certo logo depois de adotadas, continuaram garantindo uma razoável estabilidade de preços e têm contribuído para facilitar o planejamento das empresas. Além do mais, o BC foi muito mais ágil que o Ministério da Fazenda, nas primeiras ações de combate à crise, no ano passado. Sem essa intervenção, as condições de financiamento teriam sido muito piores, bancos pequenos e médios teriam corrido riscos muito maiores e a situação cambial poderia ter-se deteriorado muito mais perigosamente.

Em resumo, a oposição combateu algumas das melhores ações econômicas dos últimos sete anos e silenciou diante das mais desastrosas. Foi incapaz de defender algumas das mudanças mais importantes do governo anterior, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a bem-sucedida privatização de empresas com atividades típicas de mercado, como a mineração, a produção de aço e a fabricação de aviões. Os oposicionistas ficaram quietos quando o presidente Lula tentou intervir na gestão de algumas dessas companhias, assim como têm ficado passivos diante das perigosas mudanças embutidas nos projetos de lei do pré-sal. Se essa é a sua orientação, que mensagem terão para o eleitorado?


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091116/not_imp466956,0.php
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terça-feira, novembro 10, 2009

Transito: um problema global
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/11/08/cidades,i=153387/MOTORISTAS+SOFREM+COM+O+INCHACO+DA+FROTA.shtml
Como solucionar?
O problema do trânsito não tem solução mesmo: se todos decidissem utilizar transporte coletivo, ele entraria em colapso. Alargar suficiente as ruas e avenidas, além de inviável do ponto de vista de planejamento urbano, seria apenas um paliativo; mais cedo ou mais tarde o volume de carros alcançaria novamente o limite. E transitar não é uma opção, é uma necessidade.
Em BH realizam-se cerca de 4,2 milhoes de deslocamentos por dia, nao só de carro e ônibus, é claro, mas principalmente assim. O Detran-MG emplaca em média 500 veículos por dia. A frota da capital atingiu, em 2007, o marco de um milhão de veículos, e cresce de 4% a 7% ao ano desde 1999.
A região sul de BH (falo dela porque é onde vejo todos os dias, certamente não é só aqui) passa recentemente por intensas mudanças de uso de solo. Sion, Belvedere, Seis Pistas, Vale do Sereno e Vila da Serra vêem prédios novos surgirem assustadoramente, ocupando lotes onde antes havia casas ou... ou nada mesmo. Interessante como se acha que as vias vão suportar todo esse contingente circulando.
De http://fernandobrina.blogspot.com/2009/05/mais-do-mesmo.html

segunda-feira, novembro 09, 2009

Muro de Berlim








domingo, novembro 08, 2009

J.R. Guzzo - fim do mundo

Em dezembro nós teremos o encontro sobre o clima na dinamarca (certo?). Até que ponto o aquecimento global é uma verdade inquestionável - como uma prioridade mundial? Até que ponto os políticos tiram vantagem da situação? Estão na mesma onda a mídia e a sociedade civil no geral.


Sábado, Novembro 07, 2009

J. R. Guzzo- Fim do mundo
VEJA
"Antes de ter um problema ecológico, o Brasil tem um problema sanitário; nossa verdadeira tragédia ambiental é o fato de que 50% da população não dispõe de rede de esgotos"
Estaria o mundo de hoje, e o Brasil junto com ele, se comprometendo com o que pode vir a ser a mais cara, obsessiva e mal informada ilusão científica da história? A humanidade já esteve convencida de que a Terra era plana, e que era possível prever matematicamente a extinção da vida humana por falta física de comida, já que a população cresceria sempre de forma geométrica e a produção de alimentos jamais poderia aumentar no mesmo ritmo; mais recentemente, grandes empresas, governos e ases da ciência digital acreditaram que o "bug do milênio" iria paralisar o mundo na passagem de 1999 para 2000. Não se pode dizer que a crescente convicção de que o planeta sofre hoje uma "ameaça sem precedentes" em toda a sua existência, como resultado direto da "mudança do clima", e particularmente do "aquecimento global", seja exatamente a mesma coisa. Mas às vésperas da abertura da grande conferência da ONU sobre o tema, que reunirá em Copenhague, agora em dezembro, 170 países e cerca de 8 000 cérebros, parece conveniente tentar estabelecer algum tipo de separação entre o que possam ser problemas reais e o que é uma espécie de culto psicótico ao fim do mundo. Previsivelmente, trata-se de tarefa com poucas chances de sucesso.
Há, em primeiro lugar, uma atitude cada vez mais ampla e cada vez mais agressiva estabelecendo que as pessoas têm, obrigatoriamente, de acreditar que o clima está mudando para pior e que a catástrofe é uma perspectiva não apenas indiscutível como iminente; dúvidas não são permitidas. Sair da reunião de Copenhague sem uma solução definitiva para o aquecimento global e as emissões mundiais de carbono "não é uma opção", pregam os organizadores da reunião e um chefe de estado depois do outro; é indispensável achar uma saída, e já, embora não se saiba qual. A ideia geral, em suma, é que o cidadão, ao sair de casa um dia desses, pode sofrer um ataque do efeito estufa e cair morto no meio da rua. A essa insistência em criar uma unanimidade de pensamento se acrescenta uma extensa mistura de mistificação, desinformação, pseudociência, demagogia, charlatanismo, fatos sem confirmação e números cuja veracidade não pode ser certificada. De maneira sistemática, fotos de terra rachada pela seca, que o Nordeste do Brasil conhece desde o tempo de dom Pedro II, são apresentadas como prova do aquecimento do planeta. O culpado final por tudo é o "consumo".
Políticos, governos e organizações internacionais, em vez de colocarem mais racionalidade no debate, contribuem ativamente para esse impulso crescente de autoflagelação. Um ano atrás, para ficar num exemplo só, a Inglaterra aprovou uma lei pela qual o país terá de cortar em 80% as suas emissões de carbono até o ano de 2050; ninguém faz a menor ideia de como isso vai se passar na prática. (De certo, nesse caso de combate extremado ao aquecimento global, houve o fato de que estava nevando no exato momento em que o Parlamento votava a lei - a primeira vez que nevou em Londres, num mês de outubro, nos últimos 74 anos.) Globalmente, verbas cada vez mais prodigiosas são anunciadas para salvar o planeta: 100 bilhões de dólares por ano em 2020, segundo cálculos de economistas que estarão presentes em Copenhague, ou até 1 trilhão - diferença muito reveladora da seriedade dessas contas todas. A maior parte desse dinheiro, segundo os discursos, deverá ser empregada para ajudar os países pobres a participar do combate ambiental e para que Brasil, Índia ou China sejam compensados das despesas que terão para deixar de ameaçar o mundo com o seu desenvolvimento.
A conferência de Copenhague tende a refletir, basicamente, um conjunto de neuroses, fantasias e necessidades políticas que se ligam muito mais aos países ricos do que à realidade brasileira; a agenda central é deles, com seus números, seus cientistas e até sua linguagem. O Brasil, em vez de reagir ao debate dos outros, faria melhor pensando primeiro em seus interesses. Para isso, precisaria saber o que quer. Parece bem claro que o país, antes de ter um problema ecológico, tem um problema sanitário; nossa verdadeira tragédia ambiental é o fato de que 50% da população não dispõe de rede de esgotos, ou de que dois terços dos esgotos são lançados nos rios sem tratamento nenhum. Na Amazônia, onde há o maior volume de água doce do mundo, a maioria da população não tem água decente para beber. Nas áreas pobres das cidades o lixo não é coletado - acaba em rios, represas ou na rua.
A questão ecológica real, no Brasil, chama-se pobreza.