Buenos Aires. Começa o ano legislativo na Argentina com um discurso de cerca de 2h de Cristina Kischner em frente ao congresso nacional, onde ocorre a concentração dos manifestantes. (01/03/2014)
sábado, março 15, 2014
sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Fixed Quota System x Tradable Procreation Permit
Comparing the fixed
quota system with a tradable procreation permit, I would argue that the latter
is more questionable than the former. Even though a tradable procreation permit
would be efficient whereas a fixed quota system would not, its impact in terms
of eroding people’s perception of how fair their community is offsets
efficiency gains. People’s expectations about one another affect their behavior
towards the group, a position underpinned by a large body of recent academic
evidence that rejects the idea of the utility maximizer representative agent.
It is rather the case that emotion and moral codes play a major role in human
decisions. In this vein, one’s attitude toward his or her group, including
whether one cooperates or not and to what degree, depends fundamentally
on the person's expectations about the rest of the group. Hence, the fairness
of public policy fosters cooperation among agents. The design of public policy
and institutions must account for this behavioral effect, taking the discussion
beyond efficiency concerns.
Specifically as regards
the options at hand, a fixed quota system is problematic in a highly unequal
world. Imposing a significant fine on the poor for an extra child limits their
freedom regarding family decisions, whereas for the rich the cost of having
more than one child dissipates in their mammoth budget. A fixed quota system,
however, can be socially acceptable by letting the fine on extra child be
proportional to income. On the other hand, when there is a market for the right
to have a child, such as a tradable procreation permit, the nature of having
children changes drastically. When kids are goods, having a child implies an
opportunity cost absent under a fixed quota system. Kids would most likely
become luxury goods under such conditions; rich families would be notable for
having five kids. For the average guy, having a child would imply not earning a
lot of money, as the right to have kids would presumably be quite expensive. A
young couple would thus be faced with the awkward decision of having a kid or
selling the right to do so and travelling around the world, buying a car or an
apartment and so forth. Who knows what the price of life would be? For poor
people, having a child would be a burden; selling their fundamental right to
have a family would be a matter of making ends meet. A market for children
introduces an opportunity cost, its corollary is to create a fallacious
equivalence between money and life, as if they were interchangeable.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Quem escolhe em quem voce vota?
Enquanto o brasileiro continuar discutindo coisas boçais, vamos continuar ocupando o mesmo lugar que sempre ocupamos no mundo. Mas é a escolha do brasileiro: parar tudo para discutir o capitalismo, o socialismo, a copa do mundo e futebol.. é o famoso ser ou nao ser tupiniquim...
Até aí, tudo bem. O que nao sei bem é se esses diferentes projetos estao claros para a populacao, isso não é só culpa da mídia, mas dos políticos e da própria sociedade, que adora discutir várias coisas ao mesmo tempo, misturando as definições e as paixões.
Com isso, metade da discussão se perde. Ninguem sabe ao certo o efeito das política públicas, dos gastos, dos investimentos, nem o governo tem a menor noção disso, tudo não passa de "achismo".
Todos querem igualdade, justiça, etc... mas não se pode ignorar o mercado, pois ele é exatamente o que escapa do controle do estado e das pessoas. É como a água, não adianta querer pegá-la de qualquer jeito, que voce não consegue. O mercado é o real, o discurso político é o imaginário. Na prática real do mercado, as pessoas trocam o debate político por mais dinheiro, prazos, salários, oportunidades. E voce pode entrevistar as pessoas antes para saber o que elas acham moralmente mais correto, mas elas não vão seguir o que falaram no momento em que as oportunidades aparecerem.
Então, vc pode chamar o governo de como quiser (tipo neo-anarco-socialismo), mas sempre vai continuar existindo aqueles que se beneficiam mais do que os outros, que mantém privilégios do governo, informações secretas, que se vendem pelo dinheiro, que são mercadores da morte, que são traficantes, vagabundos, ou como quiserem chamá-los. A luta de qualquer governo não é contra ou ideologia, isso é mera desculpa, e sim contra esses "cupins" que estão infiltrados em todo o governo e corroem a máquina por dentro.
Entao, o bolsa família é ótimo? é.. e os outros programas? Qual é o custo deles? O que a gente tá ganhando e o que estamos perdendo? O que pode existir de mais libertador, especialmente nas eleicões, é a possibilidade de uma escolha real, entre diferentes projetos, bem delimitados. Escolher pelo voto é dar maioridade ao povo, mas muitas vezes o discurso ideológico dos próprios políticos (e da sociedade) visa justamente a confundir o eleitor para que não sejam visíveis as diferentes opções. Dessa forma, monta-se o discurso do bem e do mal, dos brasileiros contra os entreguistas, de um bando de encastelados discutindo, com o dinheiro público, a realidade metafísica do capitalismo, nesse panelão que é o Brasil, destinado a ficar borbulhando em banho maria para sempre.
Daí retorna-se às velhas discussões sobre economia, capitalismo, sobre os juros, os lucros, a ambição, a ganância, e outros assuntos que remontam à teologia cristã durante a Idade Média. Enquanto os mais espertos, ou os engenheiros, os matemáticos e outros menos apegados ideologicamente enchem os bolsos sem a menor culpa.
Repito: Até que ponto o brasileiro é capaz de fazer escolhas? Até que ponto o brasileiro entendeu como funciona a democracia, que o voto serve para ti, que o importante são suas condições de vida, o que ele vê ao redor, e não para atender nenhuma entidade moral e imaginária, em geral alheia aos seus problemas. Supondo que essa questão seja solucionada, mais problemas aparecem: ainda que saiba o quer para si, as propostas não são bem definidas, o sistema eleitoral não é perfeito, os políticos procuram confundir o eleitor, que é afinal uma parte muito pequena de todo o processo.
Ou seja, ainda que o eleitor saiba o que quer, o sistema eleitoral não supre sua insatisfação ou seu incômodo, pelo contrário, pode até aumentá-los, pois querer não é poder, e uma minoria nunca pode se preponderar a uma maioria, apesar que a democracia também implica o respeito aos direitos de todos. Ainda que todos saibam o que querem e não haja ilusão dos políticos, para as coisas funcionarem bem é necessária uma grande dose de coincidência entre os diversos interesses, sempre respeitando os interesses da minoria, de modo que o gigante acorde e não volte a dormir.
MAC
************************************************************************************************
A propósito:
O copo e o vento"O que a eleição pode trazer de melhor é a explicitação de projetos divergentes, com defesas consistentes dos dois lados"
João Paulo
Editor deCultura - e-mail: jpaulocunha.mg@diariosassociados.com.br
Editor deCultura - e-mail: jpaulocunha.mg@diariosassociados.com.br
Publicação: 25/01/2014 04:00
| Copo d'água, obra do artista plástico Iran do Espírito Santo, que pode ser vista na Galeria Mata, em Inhotim |
“É sempre bom lembrar/ que o copo vazio/ está cheio de ar.” Os versos de inspiração zen-budista da canção de Gilberto Gil parecem sintetizar, muitos anos depois, a situação real do nada sagrado tempo em que vivemos. Enquanto poucos e eloquentes cantam o copo vazio da crise que se avizinha inexoravelmente, a maioria parece bastante otimista, tocada pelo vento seguro, como uma nau de velas pandas.
Em outro contexto, o psicanalista francês Jacques Lacan apelava para a existência de três constituintes do universo psicológico – o real, o simbólico e o imaginário. Não parece ser outra a relação das pessoas com a sociedade e a política. Há o real, dos que vivem o dia a dia; o imaginário, dos que desejam outro cenário; e o simbólico, que pode ser traduzido nas ideologias que de certa forma amparam os dois lados em conflito.
O que a canção e a psicanálise têm a nos dizer, quando se trata de economia e crise, é que sabemos sempre menos do que precisamos. As certezas se mostram a cada dia mais caducas e exigem não apenas abertura para o novo, mas honestidade de propósitos. Algo que é essencial sempre, mas que se torna civilizador quando se entra, como agora, no calor de uma eleição.
O ponto de discordância entre os pessimistas – do meio copo vazio – e os otimistas – do copo meio cheio – é, mais uma vez, a precedência dada à economia quando se discutem divergências políticas. Tudo se passa como se houvesse alguns universais a serem perseguidos (controle da inflação, estabilidade, pleno emprego, crescimento sustentável) e pequenas diferenças na forma de chegar a esses objetivos.
No entanto, a própria colocação do problema já antecipa o sentido do debate. É preciso lembrar sempre que a opinião pública, de certa maneira traduzida no Brasil pela opinião publicada pela chamada grande imprensa, parece ter apenas como norte a defesa dos valores liberais de mercado. Para entrar na roda, é preciso de antemão se localizar entre os “capitalistas modernos”, que pela cartilha da mídia é quase uma redundância. Ainda que falsa em seus fundamentos.
Por isso, o tratamento dado à economia no contexto das disputas políticas precisa ser feito com mais honestidade. Tipo papo reto. Não há consenso, como se propaga, que o melhor receituário é o que incorpora a inflação na meta, câmbio livre e equilíbrio fiscal, com atenção especial ao superávit primário. Essa equação quase sempre desanda para a subida de juros, volatilidade de capitais e garantia do ganho do setor financeiro rentista, mesmo à custa do arrocho do contribuinte.
Trata-se de uma economia ligada a valores que são menos do mercado (uma entidade quase mágica) e mais do capital (que pode ser fetichista, mas não tem nada de irreal). Os chamados fundamentos da economia são, na realidade, uma forma técnica de defesa de uma opção nitidamente política. Além do mais, tal receituário, aplicado por décadas nos países ricos com o lastro das economias dependentes, está fazendo água, com alto grau de desemprego e insegurança social em muitos países da Europa. A ideia de uma social-democracia para poucos não pode mais subsistir num cenário de demanda real de melhoria do padrão de vida para todos.
No lado da economia das pessoas comuns a sensação é outra. Mesmo com a ameaça da inflação como grande atiçador brandido por parte da oposição, a melhoria do padrão de vida é patente. Programas sociais vitoriosos – na área da distribuição de renda, oportunidades na educação e moradia – são traduzidos no dia a dia como novo patamar qualitativo de existência. E, o que é mais significativo, alteram a relação das pessoas com a sociedade e com a autoestima. Há uma postulação de direitos, tomados como naturais e evidentes, que é ainda mais importante que as conquistas meramente materiais.
Se o fato fosse apenas a distinção de projetos para a sociedade brasileira – e é para isso que servem as eleições – tudo estaria no melhor dos mundos. Bastaria apresentar as propostas existentes e dar ao povo liberdade de escolher. No entanto, o que se percebe é um atravessamento moral do debate, como se estivesse em jogo a verdade ou, em outras palavras, o bem contra o mal. Sempre que se descamba para o terreno do moralismo, quem perde primeiro é a política. Uma eleição que resgata a política começa bem. É o que se espera dos próximos lances. Ou então, o que sobra é um misto de descontentamento alienante (“todo político é ladrão”) somado a uma cobrança por eficiência (“padrão Fifa” ou “Primeiro Mundo”).
O projeto liberal, representado pela oposição – e por isso é bom que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão de Fernando Henrique Cardoso, esteja sendo apresentado, ainda que informalmente, como economista-orgânico de Aécio Neves, possível candidato do PSDB às eleições presidenciais –, vai na linha da defesa dos chamados fundamentos da economia de mercado. São propostas vindas do setor financeiro, com trânsito privilegiado pelo mercado de capitais, como indica a origem de Fraga.
É isso que a eleição pode trazer de melhor, a explicitação de projetos divergentes, com defesas consistentes dos dois lados: o neodesenvolvimentista, do atual governo; e o neoliberal, das oposições (para ficar mais amplo, é só lembrar que no caso de Eduardo Campos, virtual candidato do PSB, sai Armínio e entra Giannetti da Fonseca na seara da economia, sem mudanças substanciais). É com esses elementos, desdobrados nos debates em propostas concretas, que o eleitor vai ter que se dar para fazer sua opção. Não com a escolha entre Deus e o diabo, entre a mentira e verdade, a modernidade e o atraso. Na vida, como na política, as metáforas são apenas fantasmas.
MAGAZINE CONECTION No começo da semana, num programa da TV paga, Manhattan conection (um exemplo antipático de subserviência colonial e intelectual da mídia brasileira, que costuma indicar o melhor pãozinho de NY), a empresária Luzia Trajano, dona de uma rede de lojas de varejo, foi posta na arena dos leões do ultraliberalismo. Em desvantagem numérica – estava sozinha contra um economista e três jornalistas alinhados com a tese do copo vazio –, ela mostrou números, propósitos e ações que fazem a diferença entre a teoria catastrofista e a realidade.
De um lado, a ameaça da bolha; do outro, a celebração do crescimento do emprego e do consumo; um setor defendendo o capital transnacional, a varejista apontando a especificidade do nosso mercado. O programa foi ainda exemplar em outro aspecto, sobre o qual ainda temos que melhorar muito: a capacidade de ouvir o outro. Na arrogância que caracteriza a elite brasileira (da qual a imprensa é um bom sucedâneo), existe sempre a palavra autorizada, que um dia Marilena Chauí nomeou de “discurso competente”. Luzia, na contramão desse jogo de cartas marcadas, levou ao telespectador, além da comunicação fácil e sincera, a sabedoria que faltava a quem sempre se defendeu mais com padrões morais que com a realidade.
Luiza pode ser empresária, mas é mulher, deixa claro que veio de baixo e atua num setor pouco charmoso do mercado (vender papéis podres e carros insustentáveis é mais chique que negociar chapinhas e tanquinhos). Por isso tinha tudo para ser diminuída e tratada como um dinossauro (o jornalista Diogo Mainardi, que mostrou sua ignorância com relação aos números da inadimplência brasileira no comércio, chegou a varticinar a venda do magazine para uma pontocom americana). O resultado, no entanto, como se viu durante a semana nas redes sociais, foi uma empatia dos argumentos da empresária com o sentimento das pessoas.
Essa talvez seja a lição mais importante para quem está preocupado em dar o rumo certo ao debate econômico durante o franco período eleitoral que vivemos. Quem vota não são os colunistas de economia e seus leitores, cada vez mais parcos e desinformados, mas as pessoas comuns. E, por uma regra de mercado, destas que não costumam falhar, geralmente a maioria está certa, já que a inteligência e o bom senso não são atributos de classe. Uma Luzia Trajano vale mais que quatro comentaristas. Com o voto, a lógica é a mesma: a realidade sempre liquida a teoria vazia e cheia de ar.
Em outro contexto, o psicanalista francês Jacques Lacan apelava para a existência de três constituintes do universo psicológico – o real, o simbólico e o imaginário. Não parece ser outra a relação das pessoas com a sociedade e a política. Há o real, dos que vivem o dia a dia; o imaginário, dos que desejam outro cenário; e o simbólico, que pode ser traduzido nas ideologias que de certa forma amparam os dois lados em conflito.
O que a canção e a psicanálise têm a nos dizer, quando se trata de economia e crise, é que sabemos sempre menos do que precisamos. As certezas se mostram a cada dia mais caducas e exigem não apenas abertura para o novo, mas honestidade de propósitos. Algo que é essencial sempre, mas que se torna civilizador quando se entra, como agora, no calor de uma eleição.
O ponto de discordância entre os pessimistas – do meio copo vazio – e os otimistas – do copo meio cheio – é, mais uma vez, a precedência dada à economia quando se discutem divergências políticas. Tudo se passa como se houvesse alguns universais a serem perseguidos (controle da inflação, estabilidade, pleno emprego, crescimento sustentável) e pequenas diferenças na forma de chegar a esses objetivos.
No entanto, a própria colocação do problema já antecipa o sentido do debate. É preciso lembrar sempre que a opinião pública, de certa maneira traduzida no Brasil pela opinião publicada pela chamada grande imprensa, parece ter apenas como norte a defesa dos valores liberais de mercado. Para entrar na roda, é preciso de antemão se localizar entre os “capitalistas modernos”, que pela cartilha da mídia é quase uma redundância. Ainda que falsa em seus fundamentos.
Por isso, o tratamento dado à economia no contexto das disputas políticas precisa ser feito com mais honestidade. Tipo papo reto. Não há consenso, como se propaga, que o melhor receituário é o que incorpora a inflação na meta, câmbio livre e equilíbrio fiscal, com atenção especial ao superávit primário. Essa equação quase sempre desanda para a subida de juros, volatilidade de capitais e garantia do ganho do setor financeiro rentista, mesmo à custa do arrocho do contribuinte.
Trata-se de uma economia ligada a valores que são menos do mercado (uma entidade quase mágica) e mais do capital (que pode ser fetichista, mas não tem nada de irreal). Os chamados fundamentos da economia são, na realidade, uma forma técnica de defesa de uma opção nitidamente política. Além do mais, tal receituário, aplicado por décadas nos países ricos com o lastro das economias dependentes, está fazendo água, com alto grau de desemprego e insegurança social em muitos países da Europa. A ideia de uma social-democracia para poucos não pode mais subsistir num cenário de demanda real de melhoria do padrão de vida para todos.
No lado da economia das pessoas comuns a sensação é outra. Mesmo com a ameaça da inflação como grande atiçador brandido por parte da oposição, a melhoria do padrão de vida é patente. Programas sociais vitoriosos – na área da distribuição de renda, oportunidades na educação e moradia – são traduzidos no dia a dia como novo patamar qualitativo de existência. E, o que é mais significativo, alteram a relação das pessoas com a sociedade e com a autoestima. Há uma postulação de direitos, tomados como naturais e evidentes, que é ainda mais importante que as conquistas meramente materiais.
Se o fato fosse apenas a distinção de projetos para a sociedade brasileira – e é para isso que servem as eleições – tudo estaria no melhor dos mundos. Bastaria apresentar as propostas existentes e dar ao povo liberdade de escolher. No entanto, o que se percebe é um atravessamento moral do debate, como se estivesse em jogo a verdade ou, em outras palavras, o bem contra o mal. Sempre que se descamba para o terreno do moralismo, quem perde primeiro é a política. Uma eleição que resgata a política começa bem. É o que se espera dos próximos lances. Ou então, o que sobra é um misto de descontentamento alienante (“todo político é ladrão”) somado a uma cobrança por eficiência (“padrão Fifa” ou “Primeiro Mundo”).
O projeto liberal, representado pela oposição – e por isso é bom que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão de Fernando Henrique Cardoso, esteja sendo apresentado, ainda que informalmente, como economista-orgânico de Aécio Neves, possível candidato do PSDB às eleições presidenciais –, vai na linha da defesa dos chamados fundamentos da economia de mercado. São propostas vindas do setor financeiro, com trânsito privilegiado pelo mercado de capitais, como indica a origem de Fraga.
É isso que a eleição pode trazer de melhor, a explicitação de projetos divergentes, com defesas consistentes dos dois lados: o neodesenvolvimentista, do atual governo; e o neoliberal, das oposições (para ficar mais amplo, é só lembrar que no caso de Eduardo Campos, virtual candidato do PSB, sai Armínio e entra Giannetti da Fonseca na seara da economia, sem mudanças substanciais). É com esses elementos, desdobrados nos debates em propostas concretas, que o eleitor vai ter que se dar para fazer sua opção. Não com a escolha entre Deus e o diabo, entre a mentira e verdade, a modernidade e o atraso. Na vida, como na política, as metáforas são apenas fantasmas.
MAGAZINE CONECTION No começo da semana, num programa da TV paga, Manhattan conection (um exemplo antipático de subserviência colonial e intelectual da mídia brasileira, que costuma indicar o melhor pãozinho de NY), a empresária Luzia Trajano, dona de uma rede de lojas de varejo, foi posta na arena dos leões do ultraliberalismo. Em desvantagem numérica – estava sozinha contra um economista e três jornalistas alinhados com a tese do copo vazio –, ela mostrou números, propósitos e ações que fazem a diferença entre a teoria catastrofista e a realidade.
De um lado, a ameaça da bolha; do outro, a celebração do crescimento do emprego e do consumo; um setor defendendo o capital transnacional, a varejista apontando a especificidade do nosso mercado. O programa foi ainda exemplar em outro aspecto, sobre o qual ainda temos que melhorar muito: a capacidade de ouvir o outro. Na arrogância que caracteriza a elite brasileira (da qual a imprensa é um bom sucedâneo), existe sempre a palavra autorizada, que um dia Marilena Chauí nomeou de “discurso competente”. Luzia, na contramão desse jogo de cartas marcadas, levou ao telespectador, além da comunicação fácil e sincera, a sabedoria que faltava a quem sempre se defendeu mais com padrões morais que com a realidade.
Luiza pode ser empresária, mas é mulher, deixa claro que veio de baixo e atua num setor pouco charmoso do mercado (vender papéis podres e carros insustentáveis é mais chique que negociar chapinhas e tanquinhos). Por isso tinha tudo para ser diminuída e tratada como um dinossauro (o jornalista Diogo Mainardi, que mostrou sua ignorância com relação aos números da inadimplência brasileira no comércio, chegou a varticinar a venda do magazine para uma pontocom americana). O resultado, no entanto, como se viu durante a semana nas redes sociais, foi uma empatia dos argumentos da empresária com o sentimento das pessoas.
Essa talvez seja a lição mais importante para quem está preocupado em dar o rumo certo ao debate econômico durante o franco período eleitoral que vivemos. Quem vota não são os colunistas de economia e seus leitores, cada vez mais parcos e desinformados, mas as pessoas comuns. E, por uma regra de mercado, destas que não costumam falhar, geralmente a maioria está certa, já que a inteligência e o bom senso não são atributos de classe. Uma Luzia Trajano vale mais que quatro comentaristas. Com o voto, a lógica é a mesma: a realidade sempre liquida a teoria vazia e cheia de ar.
sábado, janeiro 25, 2014
Pobreza ou desigualdade?
A desigualdade pode ser pensada em diferentes aspectos. A renda ou a riqueza são interessantes para medir a variância do fluxo e do estoque monetário. A desigualdade de capital humano está correlacionada com a desigualdade de renda. Em um mundo perfeito e sem incertezas, a desigualdade seria zero, todos seríamos ricos e não haveria necessidade do trabalho. O mercado exige no entanto a remuneração dos fatores de acordo com seus esforços, de modo que alguma desigualdade pode ser necessária e deve ser tolerada.
A desigualdade é especialmente danosa quando ela condena milhares de pessoas para a pobreza, sem que sejam oferecidas oportunidades profissionais e de uma plena vida social e cultural. Essa desigualdade nada tem a ver com a remuneração dos fatores de acordo com o esforço e a meritocracia, mas com privilégios e incentivos perversos impostos por uma pequena parcela da população que monopoliza o poder político e econômico, e que portanto não criam e não produzem nada.
Essa discussão é especialmente pertinente ao Brasil pois os programas de transferência de renda que visam exclusivamente a redução da desigualdade da renda parecem estar chegando ao limite, após forte expansão e fortes impactos nos últimos anos. É possível a redução permanente da desigualdade de renda ou riqueza quando se há enorme discrepância educacional e no acesso a fatores básicos de vida, como saneamento básico, escolas e sistema de saúde? A redução da desigualdade de oportunidades básicas nas fases iniciais de vida pode resultar em enormes oportunidades ao longo de toda a vida
O governo priorizou nos últimos anos a redução da desigualdade de renda, em detrimento do próprio crescimento e do nível geral de renda. A redução dessa desigualdade evita os danos de uma concentração excessiva de poder, mas não deveria ser vista como objetivo final de suas políticas. A pobreza é um indicador muito mais eficaz para se avaliar a eficiência das políticas públicas.
https://openknowledge.worldbank.org/bitstream/handle/10986/2580/468270PUB0Meas101OFFICIAL0USE0ONLY1.pdf?sequence=1
http://globotv.globo.com/globo-news/entre-aspas/t/todos-os-videos/v/relatorio-de-ong-mostra-que-desigualdade-social-no-mundo-aumentou-consideravelmente/3093854/
MAC
A desigualdade é especialmente danosa quando ela condena milhares de pessoas para a pobreza, sem que sejam oferecidas oportunidades profissionais e de uma plena vida social e cultural. Essa desigualdade nada tem a ver com a remuneração dos fatores de acordo com o esforço e a meritocracia, mas com privilégios e incentivos perversos impostos por uma pequena parcela da população que monopoliza o poder político e econômico, e que portanto não criam e não produzem nada.
Essa discussão é especialmente pertinente ao Brasil pois os programas de transferência de renda que visam exclusivamente a redução da desigualdade da renda parecem estar chegando ao limite, após forte expansão e fortes impactos nos últimos anos. É possível a redução permanente da desigualdade de renda ou riqueza quando se há enorme discrepância educacional e no acesso a fatores básicos de vida, como saneamento básico, escolas e sistema de saúde? A redução da desigualdade de oportunidades básicas nas fases iniciais de vida pode resultar em enormes oportunidades ao longo de toda a vida
O governo priorizou nos últimos anos a redução da desigualdade de renda, em detrimento do próprio crescimento e do nível geral de renda. A redução dessa desigualdade evita os danos de uma concentração excessiva de poder, mas não deveria ser vista como objetivo final de suas políticas. A pobreza é um indicador muito mais eficaz para se avaliar a eficiência das políticas públicas.
https://openknowledge.worldbank.org/bitstream/handle/10986/2580/468270PUB0Meas101OFFICIAL0USE0ONLY1.pdf?sequence=1
http://globotv.globo.com/globo-news/entre-aspas/t/todos-os-videos/v/relatorio-de-ong-mostra-que-desigualdade-social-no-mundo-aumentou-consideravelmente/3093854/
MAC
sexta-feira, janeiro 24, 2014
Robot Economicus
Adam Smith economics can’t be seen as value-neutral driven. Modern Economists misread the father of economics by either not reading The Theory of Moral Sentiments or by considering it independent from his other book, slightly more famous. Oddly enough, the so-called father of economics gave birth to a child that didn’t share the Scottish Enlightenment’s DNA, for Smith’s reasoning was embedded on Scottish Tradition under which moral concerns played a major role.
Born out of Smith’s wedlock with the Illuminati, not exactly nine months after the author’s major academic intercourse in 1776, the Homo Economicus, put it short, is a misinterpretation of Smith’s self-interest concept.
Little by little the politique was taken away from the économique and economics became mathematics. In order for economics to be a science such as physics men were reduced to atoms. Quoting Murray Gell-Mann, “Think how hard physics would be if particles could think”, now, think how hard economics would be if men had feelings? Modern economics, under the streetlight effect, asks not this question. A drunken mainstream economist is looking for his car keys under a lamppost, a younger economist asks whether he has lost his keys there, the prominent economist replies: “No, I lost the keys somewhere across the street, but the light here is better”. The youngster follows his master with all his heart, ironically, for heart matters belong not to the modus operandi of his science. He gets thrilled when his paper proving that emotions play no role in economics wins the Clark Medal. In the following years he gets completely obsessed with the possibility of winning the Nobel. Unfortunately this fairy tale doesn’t have a happy ending; during his lifetime another economist was actually able to prove that humans are robots, hence winning the Nobel prize for his major contributions in fostering the scientific inherent aspects of life.
Passionate economists argue that Robot Economicus inhabits our world, they twist-and-shout and scream-and-cry to defend their deep beliefs. Just don’t blame Adam Smith for our blindness, the man he portrayed wasn’t ruled by algorithms:
“Though every man may, according to the proverb, be the whole world to himself (...) Though his own happiness may be of more importance to him than that of all the world besides (...) In the race for wealth, and honours, and preferments, he may run as hard as he can, and strain every nerve and every muscle, in order to outstrip all his competitors. But if he should justle, or throw down any of them, the indulgence of the spectators is entirely at an end. It is a violation of fair play, which they cannot admit (…) They readily, therefore, sympathize with the natural resentment of the injured, and the offender becomes the object of their hatred and indignation”.
Thiago oliveira http://hotelcronica.blogspot.com.br/
Assinar:
Postagens (Atom)
