terça-feira, julho 16, 2013

Três ensaios sobre a manifestação

*  Thiago Oliveira 



Ensaio 1 - Da Etimologia.

manifestação
(latim manifestatio, -onis)


s. f.

1. Acto de manifestar ou de se manifestar.

2. Expressão, revelação.

3. Demonstração pública dos sentimentos ou ideias dos membros de um partido ou de uma coletividade.

4. Conjunto de pessoas reunidas publicamente para mostrar ou defender determinadas ideias ou posições.


manifestar 

v. tr.
1. Tornar manifesto, patentear, publicar.

2. Dar indícios de.
3. Expor, apresentar.

v. pron.

4. Declarar-se.

5. Aparecer.

6. Tornar-se visível, descobrir-se.





Entre os 10 significados listados justamente o último é o que melhor explica as atuais manifestações no Brasil. Claro que há múltiplas demandas, afinal temos um governo gigante que fornece suas tetas majestosas para os políticos e servidores públicos. Mas, o principal propulsor desse movimento é a necessidade de um povo que é impotente em relação às decisões políticas se expressar. 

O corolário da corrupção são serviços públicos de péssima qualidade.

O paradoxal nisso tudo é que o cidadão, embora saiba que não pode confiar em seus políticos, demanda a estes mesmos políticos mais serviços. Ou seja: Quando pedimos passe livre estamos pedindo para o governo aumentar seu nível de gastos e esquecemos que são nossos próprios impostos que financiam esses gastos, esses roubos. Esse paradoxo é um fato estilizado nas ciências políticas, não estou dizendo nada de novo.
O senso comum, em síntese, tem ojeriza à economia de mercado, e demanda um Estado maior, ao mesmo tempo em que sabe que quanto maior o Estado mais corrupção.
As regras estão postas e são bastante simples de entender, porém difíceis de solucionar. Todavia, parecemos não querer discutir as externalidades dos mercados e dos políticos, só assim poderemos equacionar esse problema de forma a minimizar os custos desse processo, que evidentemente se apresenta dificultoso. 




Ensaio 2 - Da Marcha.

Irmãos, vamos ir com mãos entrelaçadas.
Fechem os olhos e olhai uns para os outros,
Pois só sem ver que se vê alguém mais.

Que suas bandeiras deem as mãos a cada balançar.
As causas são muitas, mas menos que as vozes.
Os gestos confusos, mas, se o caos está instaurado,
Um pouco a mais de desordem irá atrapalhar?

Marchem mensagens de paz e justiça.
Leve vinagre e revide não.
Com quanta paz se constrói uma canoa?
Com quanto amor se reinventa uma nação?





Ensaio 3 - Da Gestalt, Entropia e Caos.



Quando a multidão se encontrou percebeu que não é a soma das partes que faz o todo, mas, inversamente, que cada um ali presente estava sendo totalmente definido por aquele ambiente, aquela energia. Não havia uma única causa que fizesse cada indivíduo estar ali presente, e, por isso mesmo, o grupo não poderia ser definido à partir da agregação dos sentimentos individuais de seus componentes. Na verdade nenhum grupo pode, mas isso se tornou mais evidente nas manifestações que têm ocorrido nos últimos dias.
Mas o que fez a multidão se reunir?
Minha interpretação é que tínhamos um sistema com entropia altíssima e necessitando apenas de um pouco mais de energia para gerar uma desordem completa. Um pequeno aumento na passagem do ônibus, nesse contexto, pode ser suficiente para que o sistema entre em caos. Todavia, isso não é por si só suficiente para afirmar que o sistema não vá voltar logo para o equilíbrio, sem nenhuma modificação, aliás é essa a tendência. 
Até o momento não há nenhum elemento que subsidie a possibilidade de crescimento e organização desse movimento. Por mais bela que seja a manifestação, é muito difícil imaginar que se colham frutos nessa empreitada. Profundas mudanças no Brasil só irão acontecer com décadas de lutas e reivindicações, com melhoria do sistema educacional público e com a ascensão de uma nova classe de políticos, que maximize o capital social e não o capital político. 
Enfim, viver é melhor do que sonhar.
Mas sonhar é preciso.



sábado, junho 29, 2013

A revolução dos 20 centavos do século 21


Por Marcelo*

   Os ganhadores e perdedores das revoltas populares das últimas semanas ainda não foram descobertos, mas são certamente da classe política predominante e dos poucos clãs que controlam os maiores partidos, PT, PSDB e PMDB. Os petistas mais radicais parecem querer frear o movimento, depois de tê-lo atacado desde o início, como se a massa estivesse sendo manipulada por forças ocultas (da elite, da direita e da mídia...). A versão da esquerda é praticamente o discurso atualmente reconhecido na direita brasileira, quer seja, considerar o povo ignorante como uma simples massa de manobra de alguns políticos populistas. No socialismo do século 21, muitas vezes a esquerda  prefere arrefecer os ânimos do que correr o risco de uma virada de mesa que beneficie a direita, ou mesmo parte da esquerda divergente. Os petiscas amigos da "burrocracia" nao querem radicalizar e não acreditam na esquerda radical.


    Ainda bem que na revolução do século 21 nao é necessário guerra além do "teatro", o "filme" contado pela televisão - desconsiderando que as bombas e as 3 mortes tornaram o ambiente de guerra ainda mais insuportável para além das telas, o fato é que o poder da televisão e da internet é de catalisar e acelerar pequenas mudanças e fatos que antes passariam despercebidos pela maioria. Não se precisa no século 21 tomar o congresso ou cortar as cabeças. Mostrar que a capacidade e a possibilidade, simbolicamente, já é suficiente para o povo da democracia moderna da era da informação em alta velocidade. A revolução feita dessa forma se impera de forma ainda mais rápida e impactante, pois todas as escolhas sao feitas intuitivamente e instantaneamente pelo movimento-povo, que quer mostrar que tem o controle, embora admita ser fragmentado. A minha visão é positiva: de quem vê as manifestações como um sinal de vida da nossa democracia. O povo quer parecer que sabe o que faz e até onde faz, e que pode controlar possíveis dissidências fundamentalistas, que não quer uma instabilidade maior que um certo nível que possa ameaçar a governabilidade a longo prazo. A classe média conservadora, achatada pelos altos impostos e poucas facilidades do governo, é quem no final das contas mostrou a força e foi para as ruas gritar - com um pé atrás naturalmente.


       Essa espécie revolução instantânea (de fato, os protestos já diminuíram bastante) é possível porque esse movimento é virtual, no sentido que parte do inconsciente coletivo das pessoas, e não de situações e personages reais. Problemas gerais são catalisados e depois se dispersam em uma infinidade de manifestações. Corrupção, inflação, transportes são questões gerais mas também dizem respeito ao âmago da nossa institucionalidade. Os brasileiros podem ter inconscientemente chegado `a conclusão de que o problema brasileiro é estrutural e não pode ser mudado de forma paliativa. A descrença em relação à base da política não é invenção brasileira, pelo contrário, chegou até nós atrasada. O efeito Lula de certa forma escondeu o movimento que ocorria, e o que se viu foi uma fusão dos movimentos pela democracia ao redor do mundo e movidos pela tecnologia  de informação (leia-se twitter e facebook) com o neopopulismo brasileiro, que parecia imune a tudo.


        No mais das vezes, trata-se de situações relatadas de forma indireta, e portanto deturpada, pela tv ou outros meios. Na revolução do século com informação a alta velocidade, o povo em seu conjunto democrático faz rapidamente as escolhas e desenha rapidamente os cenários, calcula-se quase de forma instantânea as perdas e ganhos da ação e toma-se uma atitude. Ou, devido a dificuldade de se mudar as coisas, chega-se a um impasse ainda mais frustrante e intransposnível do que parecia antes. Apesar dessa boa vontade, é difícil acreditar que o povo tenha mesmo uma identidade racional para escolher esse ou aquele projeto. Pelo contrário, o povo parece simplesmente guiado pelo sentimento de revolta, de quem sabe se sabe violentado e humilhado. E esperança reside exatamente nisso: a possibilidade do povo ter entrado em sua "maioridade",  de ter chegado `conclusão que a doutrinação imposta não lhe cabe mais.


     Nesse momento, volta-me a cabeça a ideia do "povo bom" - o povo brasileiro genuinamente cordial - ou o povo da não violência. O movimento povo exala pacificidade, que contrasta com a longa historia de descaso a que se sujeitou pelas elites que, pelo contrário, sempre abusou da violência. O povo, na linha do Sergio Buarque em Raízes do Brasil, foi doutrinado para não ser violento. O povo brasileiro jamais considerou que a violência fosse a solução, mesmo nas condições mais miseráveis, raramente percebe-se no brasileiro normal um ódio ou raiva que o leve ao confronto físico e mortal (ou mesmo a uma confronto moral, ou uma aversão política que dividisse a sangue o país) ao longo de um período razoavelmente longo. O ódio e a energia agressiva do brasileiro nunca se dirigiram especificamente `as elites ou a uma figura específica (p.e., os EUA, os estrangeiros, etc) . O povo brasileiro quando briga faz como um suspiro de alivio ou desabafo - são brigas de bar, entre casais e devido a armas despejadas nas mãos de adolescentes nas favelas... Quem contra argumentar dizendo que nossa violência é maior que na Palestina desconsidera o fato de que também nossa desigualdade social soh é comparável ao de Serra Leoa. Não quero entrar no mérito da culpa pela nossa extrema violência, mas ressalto que o povo brasileiro no geral é extremamente pacífico e humilde, quando não entre o ferro e o fogo. O povo pode ser malandro, mas não ruim ou frio no sentido estrito - o que no final das contas é a nossa forma de perversidade e de hipocrisia.


        O fato é que eu tenho pena do povo cordial brasileiro que se vê entre dois partidos que no fundo não representam ninguém e portanto não são nada, pois adoptam estratégias iguais. O governo condena a violência como quem não quer admitir a incompetência de resolver a própria incompetência, haja vista que o movimento há muito não se restringe a esse ou aquele movimento radical. O governo, ao permitir alta inflação, inevitavelmente terá que se defrontar cada vez mais com esse aquele movimento buscando reajuste de preços. O que "eles" querem na verdade é impedir o povo de promover uma revolução virtual, que deveria forçar uma revolução dentro do proprio congresso.


         Os conservadores estão tanto a esquerda quanto a direita, no meio está a classe média baixa e pobre esmagada pelo estado neopressor dos estados impostos e sem direito a benesses institucionalizadas. De um lado, o discurso da eficiência não encontra respaldo, por outro, a ideia revolucionária dos manifestantes está cada vez mais inverossível e utópica. Só nos resta rezar!
   

    (ps: Dias depois que escrevi esse texto, voltei, e penso agora que algumas coisas podem ser a esperança do Brasil: 1- as manifestações; 2- a lei da ficha limpa, 3 - esse deputado que foi preso, 4 - Alguma medida de mudança eleitoral na linha do que vem sendo chamando de reforma política, 5- possível prisão final dos mensaleiros, 6 - Acabo de ver que a popularidade de dilma despencou em junho. É sempre bom os políticos verem que o povo também tem seus caprichos e que não é cabresto eleitoral. Em tempo, eu espero que saia esse plebiscito, ou o referendo, acho que qualquer mudança nessa linha, que mexa com o sistema político eleitoral, pode ser boa. Só nos resta torcer!)

(O texto autoral emite estritamente a opinião do autor e é de sua inteira responsabilidade)

sexta-feira, junho 21, 2013

Movimento pela Redução Imediata dos Salários dos Deputados


O Povo lutou e conseguiu uma passagem mais justa para o transporte que deveria ser público. É hora de dar o próximo passo! Queremos a redução imediata dos salários dos deputados federais, assim como dos senadores!! Teto de 1 salário mínimo para os políticos!! Se foram eles que votaram esse salário, então eles devem recebê-lo!

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MAC

Museu da Inflação

Um projeto para juntar todas as informações a respeito desse dragão que ainda assusta o brasileiro:

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por MAC

20/06 MAIS DE 1 MILHÃO NAS RUAS

Protestos pelo pais tem 1,25 milhao de pessoas um morto e confrontos - G1