quarta-feira, abril 14, 2010

Entrevista com Aécio no Estadão

'A grande incógnita é como será a relação de Dilma com o PT', diz Aécio

Ex-governador afirma que candidata pode sofrer influência do 'PT ideológico e com problemas éticos'

11 de abril de 2010 23h 47

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo


Aécio resiste em ser vice de Serra, mas o convida para abrir sua campanha em MG
Ex-governador de Minas Gerais que deixou o cargo com popularidade recorde, Aécio Neves perdeu para o paulista José Serra o posto de pré-candidato do PSDB a presidente, mas não cultiva mágoa ou despeito. Certo de que a presidenciável petista Dilma Rousseff "é uma grande incógnita", Ele quer começar a campanha de Serra por Minas Gerais, como pré-candidato ao Senado e sem falar em vice. Os dois vão se reunir neste início de semana para marcar a data. Aécio vai propor dia 19.
"Condicionei meu descanso primeiro ao lançamento da candidatura no dia 10, e agora por mais nove dias", conta Aécio, que só sairá em férias depois de pedir voto aos mineiros. "Acho que a ida a Minas, no início de sua caminhada, tem o simbolismo de demonstrar a proximidade pessoal nossa, e de Minas e São Paulo, nesta eleição", avalia. Ao mesmo tempo, porém, o tucano adverte que não promete vitória a Serra. "Prometo o empenho. Ninguém induz o voto do eleitor, que é livre para fazer suas escolhas", diz Aécio, em entrevista ao Estado. "Vou tentar demonstrar que, para Minas e para o Brasil, a eleição de Serra é muito melhor."
O que o senhor achou do discurso de lançamento de José Serra?
Foi um discurso conceitual. Ele precisava abordar vários temas, fez críticas objetivas à ação do governo - jamais pessoais, o que achei muito positivo. Eu procurei falar antes dele, para superar constrangimentos de setores do PSDB que se atemorizam com a proposta do debate FHC x Lula.
Há razão para temer comparação?
Ao contrário. Vamos para o embate. O PT comete o equívoco de restringir sua existência aos oito anos de governo Lula. Vamos reconstruir as nossas trajetórias e ver quem contribuiu mais para que chegássemos aonde estamos hoje. Não tenho dúvida de que nós do PSDB sempre tivemos muito mais generosidade para com o País do que o PT. Busquei despersonalizar a disputa, refazer o passado. A partir daí vamos discutir o presente.
Seu discurso de oposição, no lançamento, foi em tom acima do habitual.
Oposição ao PT, porque acho importante que o Brasil saiba qual é e qual foi a postura do PT nos momentos mais graves até aqui. O que me incomoda é ver o PT tentando vender aos brasileiros a ideia de que o Brasil das virtudes e do desenvolvimento foi construído por eles, quando, em vários momentos cruciais, eles preferiram priorizar o projeto partidário ao nacional. Negaram voto a Tancredo, apoio a Itamar Franco, porque Lula já aparecia em posição boa nas pesquisas para presidente, e na construção da estabilidade, no governo FHC.
Seu discurso no lançamento foi para conclamar a militância à luta eleitoral?
Falei com o objetivo de dar coragem aos nossos companheiros para enfrentar este debate no campo que o PT quiser. No campo ético, vamos lá. Se querem falar de privatização, quem pode ser contra a privatização da telefonia ou da siderurgia? Quanto a futuro e propostas para o Brasil, estamos muito mais preparados. E vamos discutir também o presente e o passado.
Mas o senhor não citou o nome da candidata adversária, Dilma Rousseff.
Eu tenho respeito pessoal pela Dilma e acho que esta campanha não pode ser personalizada. Se formos por este caminho, ela perde a essência, se amesquinha. Quero dizer o que o PT no governo representa. Principalmente o PT sem o pragmatismo e a autoridade de Lula, que o enquadrou na manutenção da política econômica atual.
Dilma não terá essa autoridade?
Esta é a grande incógnita. Ela terá que demonstrar durante a campanha como será a relação com o PT, como virá o PT ideológico do Estado máximo e que presença o PT dos problemas éticos terá no governo. Foram todos absolvidos e, no lançamento da candidatura dela, estavam muito sorridentes.
A disputa entre seus aliados em Minas já é sinal de que faltará comando?
Não é demérito. É natural que ela não tenha sobre o PT a liderança que o presidente Lula tem, por sua história, seu carisma e sua alta popularidade. A Dilma terá dificuldades e esta é uma preocupação que permeará a campanha.
Alguns tucanos, especialmente os paulistas, se queixaram da falta de empenho de Minas na última eleição.
Isso é falso. Está na cabeça de um ou outro áulico que não conhece Minas. Recebi um telefonema do governador Alckmin na quinta-feira, para dizer que não se lembra de ninguém que tenha se empenhado tanto na eleição dele como eu. O resultado da eleição você não define. O empenho sim, e este Serra terá. Alckmin e Serra, em 2002, tiveram. Só que disputavam com Lula, que era muito popular. Será que Alckmin teria os 40 e muitos por cento que teve em Minas não fosse o empenho muito grande nosso?
Com o Lula fora da eleição fica mais fácil dar vitória para Serra em Minas?
Lula é um adversário muito mais difícil. Agora, não prometo vitórias. Prometo o empenho, que será de todos nós. Ninguém fez mais gestos em favor da unidade do partido e demonstrou mais desprendimento do que eu. E não fiz isto com má vontade, contrariado. Apostei em uma proposta, apresentei ao País. Quando vi que o PSDB caminhava em outra direção e que insistir poderia provocar um cisma no PSDB, privilegiei o projeto de País porque acho extremamente importante que este ciclo que está aí se encerre.
O ciclo do PT não foi positivo?
Reconheço virtudes no presidente Lula, mas acho que o PSDB está muito mais preparado hoje para acabar com esse aparelhamento absurdo da máquina pública. E a ministra Dilma, com os méritos que tem, terá que entrar no debate de forma muito clara sobre o espaço desse PT ideológico, estatizante, que aparelha o Estado em razão da filiação partidária, o coloca a serviço de seus interesse, e muitas vezes insinua ações de restrição à liberdade de imprensa e às conquistas democráticas.
E o debate Serra x Dilma?
Esse é bom para nós também porque os nossos modelos de gestão vão estar em debate. Vamos demonstrar que a meritocracia é o antídoto ao messianismo, porque ela te permite dados objetivos de avaliação dos resultados na vida das pessoas. Os que apostam no messianismo, nos discursos e na autoproclamação da própria bondade temem essa comparação. Vamos contrapor esses dois modelos e acho que temos grandes vantagens. Lula será sempre reconhecido pelo Brasil como um presidente extremamente importante em um momento da nossa história. A perpetuação do PT no poder não é boa para o País.
Que vantagem tem o PSDB no embate de perfis Serra x Dilma?
São duas pessoas dignas, com histórias de vida respeitáveis e nós temos que partir deste pressuposto. O Serra resgata a eficiência na gestão pública como instrumento dos avanços sociais e representa uma política externa muito mais afim aos interesses do Brasil, inclusive os comerciais e pragmáticos, e não uma aliança meramente ideológica. Não há hipótese de interromper programas que estão dando certo, mas podemos aprimorá-los.
E a ministra Dilma ?
O grande senão que se coloca em relação a ela - e aí é um preço que ela paga exatamente por não ter tido a experiência de comando no Executivo, nem mandato eletivo - é qual será a presença desses setores ideológicos do PT e dos aloprados no seu eventual futuro governo. Ela terá que dizer aos brasileiros exatamente o que pensa de modelo de Estado, das instituições democráticas, da liberdade de imprensa, do aparelhamento do Estado e desse inchaço da máquina pública.
O senhor não promete vitória. Dá para vencer sem derrotar Dilma em Minas? O PSDB nacional diz que não.
Eu disse que não prometo resultado. Felizmente, cada eleitor brasileiro vale um voto, esteja ele no Nordeste, no Sul ou em São João Del Rei. Isto já é um avanço, porque antigamente os líderes indicavam seus sucessores. Eu, acima de qualquer projeto pessoal que possa ter tido, estarei absolutamente engajado na campanha do Serra por duas razões: vejo nele todas as condições de fazer um belo governo e acho fundamental encerrar este ciclo, porque o enraizamento desses setores que estão no governo pode ser muito perverso para o País.
Qual é o significado do convite a Serra para abrir o roteiro de viagens da pré-campanha em Minas Gerais?
É um gesto simbólico, para demonstrar de forma clara que estaremos juntos independentemente da minha posição e da candidatura que eu venha a disputar.
O senhor se refere a dúvidas quanto a seu engajamento na campanha?
Na verdade, esta dúvida está na cabeça de meia dúzia de pessoas que desconhecem a realidade de Minas e não acompanharam a campanha. Serra e o governador Geraldo Alckmin agradeceram o empenho e a forma como atuamos, frente ao adversário Lula, que era muito forte em Minas. A ida de Serra a Minas, no início de sua caminhada, tem o simbolismo de demonstrar a proximidade pessoal nossa, e de Minas e São Paulo, nesta eleição. Mas ninguém induz o voto do eleitor. O eleitor é livre para fazer suas escolhas. Eu vou tentar demonstrar que, para Minas Gerais e para o Brasil, a eleição de Serra é muito melhor.

J. R. Guzzo Em modo extremo

da Veja:

http://sergyovitro.blogspot.com/2010/04/j-r-guzzo-em-modo-extremo.html

domingo, 11 de abril de 2010

J. R. Guzzo Em modo extremo

"Lula não corrige nenhum dos erros que comete, pois acabou
convencido de que não erra nunca; além disso, é estimulado
o tempo todo a continuar errando"

O brasileiro comum, do tipo que não pode nomear parentes nem agregados para "cargos em comissão" no serviço público, raramente tem a oportunidade de ser bajulado. Em compensação, passa a vida pagando pelos estragos causados pela bajulação praticada em escala maciça, e todos os dias, nas esferas mais altas do governo – a começar pela esfera mais alta de todas. Não existe uma única alma, ali, capaz de admitir que possa haver algum erro, mesmo de pequeno porte, em qualquer coisa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diga, faça ou pense. O resultado é que Lula não corrige nenhum dos erros que comete, pois acabou convencido de que não erra nunca; além disso, é estimulado o tempo todo a continuar errando. A conta, como de costume, é paga pelo público em geral. Como poderia ser diferente, quando as pessoas com quem Lula fala e convive diariamente estão dispostas a tudo para deixar claro, claríssimo, que ele tem sempre razão, seja lá no que for?

O presidente, por sua própria iniciativa, já se acha a obra mais bem-acabada que a história do Brasil conseguiu produzir até hoje. Fica ainda mais convencido disso, naturalmente, quando é chamado por seus ministros e principais mandarins de "Nosso Mestre", "Nosso Guia" ou "Nossa Luz", e passa o dia inteiro cercado de gente cuja grande preocupação na vida é dar um jeito de dizer só o que ele quer ouvir. Ou então não dizer, de jeito nenhum, o que ele não quer ouvir. Talvez ninguém tenha resumido melhor essa questão do que a ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata oficial nas próximas eleições presidenciais. Questionada recentemente sobre o que achava da situação dos presos políticos em Cuba, que Lula havia acabado de comparar com "bandidos" de São Paulo, Dilma mostrou que só pensa naquilo – como concordar com o chefe. "Vocês não vão tirar de mim nenhuma crítica ao presidente Lula", respondeu aos jornalistas. "Nem que a vaca tussa." A candidata, em suma, não disse nada sobre a liberdade em Cuba. Ao mesmo tempo, disse tudo sobre o padrão de conduta hoje em vigor no governo.

Até algum tempo atrás, com seus índices de popularidade que não param de subir, Lula parecia satisfeito em ouvir de seus auxiliares, concordando 100% com eles, que é o maior presidente que o país jamais teve. Hoje já começa a dar a impressão de que está se sentindo grande demais para caber nas fronteiras do Brasil. "Eu gostaria que todos os governantes do mundo agissem como eu ajo", disse ele numa de suas recentes viagens ao exterior. Ultimamente deu para achar que o Brasil tem condições de resolver o problema do Oriente Médio, que está aí pelo menos desde 1948, ou de convencer os aiatolás do Irã a utilizar de maneira construtiva a bomba atômica que, segundo se suspeita, estão fabricando. Imagina que a melhor maneira de amansar ditadores é ficar amigo deles, e vive ouvindo de seus colaboradores que é um grande nome para chefiar as Nações Unidas depois que acabar seu mandato presidencial; aparentemente, até agora, vem achando muito natural essa possibilidade.

É óbvio que não se pode esperar nada muito diferente disso; a Presidência da República, aqui ou em qualquer lugar do mundo, é um ecossistema voltado para a sobrevivência dos mais aptos a bajular, obedecer e dissimular o que pensam. Tome-se, por exemplo, o caso da Casa Branca, onde a palavra "transparência" tem um valor quase religioso, pelo menos no discurso oficial da política americana. Ninguém que tenha um gabinete ali dentro sairia de casa de manhã, rumo ao trabalho, prometendo a si próprio: "Hoje eu vou dizer umas boas verdades a esse Obama". Se disser, serão as suas últimas palavras no emprego – o índice de mortalidade na carreira é altíssimo para pessoas que querem, ao mesmo tempo, servir a presidentes da República e manter intacta a sua sinceridade. Na verdade, a história se repete em qualquer lugar, público ou privado, onde alguém manda. O máximo que se consegue nesses ambientes, em matéria de crítica, são comentários do tipo: "O grande defeito do chefe é que ele trabalha demais". Ou é perfeccionista demais, sincero demais, confia demais nas pessoas, e por aí afora.

O problema, nos casos de bajulação em modo extremo como a que existe hoje em torno do Palácio do Planalto, é que o governo já começa a achar que a ausência de aplauso é uma anomalia; algo tão incompreensível que só pode ser má-fé. "Eu inaugurei 2 t000 casas e não vi uma nota no jornal", espantou-se o presidente tempos atrás. É nisso que veio dar essa história de "Nosso Mestre"...

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Contribuinte - Fiscal dos investimentos compulsórios no setor público.

segunda-feira, abril 12, 2010

ENTREVISTA DA 2ª - ZBIGNIEW BRZEZINSKI

São Paulo, segunda-feira, 12 de abril de 2010

ENTREVISTA DA 2ª - ZBIGNIEW BRZEZINSKI

"Não tenho ilusão sobre fim rápido da bomba atômica"
GRANDE estrategista da política externa americana no século 20, Zbigniew Brzezinski defende negociações amplas sobre o programa nuclear do Irã, em que o país receba garantias de que não será atacado ao abrir mão da bomba. Ele afirma que os EUA devem tomar a frente de um plano para a criação do Estado palestino, porque o conflito ameaça a segurança americana, e demonstra ceticismo sobre a meta, expressa pelo presidente Barack Obama, de pôr fim aos arsenais atômicos. Brzezinski diz que os EUA não pretendem abdicar de sua hegemonia: "Se a atual proeminência da América entrasse em declínio rápido, todo o mundo seria lançado no caos político e econômico".

CLAUDIA ANTUNES
DA SUCURSAL DO RIO

Como assessor de Segurança Nacional do presidente democrata Jimmy Carter (1977-1981), Zbigniew Brzezinski contabilizou uma vitória importante e um grande revés no Oriente Médio: o acordo de paz Israel-Egito, o primeiro entre o Estado judeu e um vizinho árabe, em 1978; e a Revolução Islâmica de 1979 no Irã, com a tomada de reféns na Embaixada dos EUA, que teve peso decisivo para a vitória do republicano Ronald Reagan na eleição presidencial de 1980.
A região e os dois países, Israel e Irã, continuam nos cálculos de Brzezinski, que em março esteve na Casa Branca, com outros antigos assessores presidenciais, para tratar do assunto com o atual conselheiro de Segurança Nacional, general James Jones, e Barack Obama. A urgência de um acordo de paz na Palestina e o programa nuclear iraniano foram os principais temas desta entrevista à Folha de um Brzezinski de voz firme, aos 82 anos.



FOLHA - O sr. é um dos veteranos da política externa americana que propuseram que Obama apresente um plano pronto para a solução de dois Estados do conflito israelense-palestino. Acredita que ele fará isso?
ZBIGNIEW BRZEZINSKI - Eu não sei.
FOLHA - Por que defende essa abordagem?
BRZEZINSKI - Porque acho que um arranjo de paz no Oriente Médio é de interesse de todas as partes envolvidas. Os EUA estão cada vez mais ameaçados pelo radicalismo e o extremismo na região, e parte disso é provocada pelo conflito contínuo entre Israel e os palestinos. Israel precisa de paz para se tornar uma parte aceita do Oriente Médio, no qual viva em segurança e prospere e possa até mesmo se tornar a Cingapura da região. E os palestinos têm direito à dignidade política, à independência política e a um território nacional.
FOLHA - E os dois lados, sozinhos, não poderiam alcançar um acordo?
BRZEZINSKI - Isso é absolutamente certo. A questão é que esse conflito agora se prolonga por várias décadas, e todo esforço de paz baseado apenas na negociação entre os dois lados fracassou.
FOLHA - Faz sentido negociar sem incluir o Hamas?
BRZEZINSKI - De uma forma ou de outra, os elementos extremistas dos dois lados terão de ser envolvidos, e, se a acomodação proposta responder aos interesses básicos tanto de Israel quanto do público árabe, os extremistas acabarão isolados politicamente.
FOLHA - Acredita na chance de o Hamas aderir a um acordo?
BRZEZINSKI - Se o acordo parecer justo e atraente para uma porção significativa dos palestinos, e se ele trouxer benefícios tangíveis, acredito que o Hamas pode muito bem evoluir. Mas é algo que nunca saberemos se acontecerá se não tentarmos fazer acontecer.
FOLHA - Houve esse choque recente entre Obama e o premiê Netanyahu após o anúncio de construções em Jerusalém Oriental. Não está claro, no entanto, se Israel vai suspender as construções. Qual deve ser o próximo passo dos EUA?
BRZEZINSKI - Em geral, eu apoio a posição que Obama adotou até agora, e veremos como Israel responde às propostas americanas mais recentes.
FOLHA - O balanço de forças dentro dos EUA favorece que haja mais pressão sobre Israel?
BRZEZINSKI - Eu acho que o povo americano em geral é a favor de uma solução pacífica, mas apoiar uma solução pacífica não é a mesma coisa que pressionar Israel. Uma solução requer compromissos tanto de Israel quanto dos palestinos. O problema é que nenhum dos dois lados parece disposto a dar o primeiro passo. A equipe de Obama está penosamente consciente desse fato.
FOLHA - As últimas iniciativas de Obama na questão nuclear contêm uma mensagem para o Irã suspender seu programa atômico. Ele será bem-sucedido?
BRZEZINSKI - Não tenho certeza de que estamos pedindo ao Irã que suspenda seu programa nuclear [o país tem o direito a tê-lo, como signatário do Tratado de Não Proliferação]. Acho que pedimos ao Irã provas convincentes e que concorde com acordos com credibilidade para dar à comunidade internacional a confiança de que seu programa não está destinado à produção de armas atômicas.
FOLHA - O sr. já disse que o programa nuclear do Irã deveria ser negociado num quadro em que os iranianos receberiam garantias de segurança. Obama não encampou essa iniciativa. Sustenta essa proposta?
BRZEZINSKI - Eu apoio a inclinação de Obama de negociar com o Irã, mas eu era a favor no passado e sou ainda hoje de negociações de maior amplitude, nas quais várias grandes questões, incluindo a segurança regional e as relações econômicas, sejam tratadas simultaneamente às discussões específicas sobre a questão nuclear.
FOLHA - O que está impedindo o governo Obama de fazer isso?
BRZEZINSKI - Em parte, a falta de uma resposta palpável do Irã.
FOLHA - Existem outros fatores? BRZEZINSKI - Pode haver alguma hesitação em ampliar de modo prematuro a pauta de negociações, mas minha opinião sobre isso é diferente da do governo.
FOLHA - O Itamaraty tem insistido em que há espaço para um pacto no qual o Irã entregaria parte de seu estoque de urânio pouco enriquecido em troca de combustível para seu reator de uso médico. A Turquia seria intermediária dessa troca. A posição brasileira é ingênua?
BRZEZINSKI - Eu não conheço a posição brasileira precisamente. Mas do que eu já ouvi sobre ela, e, pela sua descrição, me parece que representa um ponto de vista que deveria ser levado em consideração.
FOLHA - Brasil e Turquia, com cadeiras não permanentes no Conselho de Segurança, dizem que gostariam de ver mais negociações antes de novas sanções ao Irã. Se aprovadas, as sanções darão resultado?
BRZEZINSKI - Não tenho como saber que tipo de sanções será aprovado. Haverá negociações, e certamente haverá diferentes posições sobre a questão. Também sabemos que sanções demoram bastante tempo para ter efeito, e que é melhor que sejam acompanhadas por negociações sérias.
FOLHA - Alguns analistas nos EUA dizem que é inevitável que o Irã obtenha arma atômica e que será preciso conviver com isso. Concorda?
BRZEZINSKI - Eu espero que isso não aconteça, porque acho que seria desafortunado, e poderia criar tensões muito sérias nas relações internacionais. Ao mesmo tempo, tenho confiança em que poderemos conter qualquer nova potência nuclear, assim como contivemos por muitos anos potências perigosas e poderosas como a União Soviética stalinista e a China de Mao Tsé-tung. [ele se refere ao conceito de contenção, da Guerra Fria, em que o poderio bélico é usado não em conflitos, mas para dissuadir o oponente de atacar].
FOLHA- Como o senhor avalia a nova estratégia nuclear de Obama? É otimista em relação ao objetivo de pôr fim aos arsenais atômicos?
BRZEZINSKI - Eu acredito que as iniciativas adotadas recentemente são uma contribuição positiva para um mundo que se torne cada vez menos dependente, por um período prolongado, de armas nucleares. Mas não tenho nenhuma ilusão de que o movimento nessa direção será rápido e não tenho meios de prever quando as armas atômicas desaparecerão de todo, se é que isso acontecerá, e de qualquer forma com certeza não será em pouco tempo.
FOLHA - China e EUA são interdependentes na economia. Mas setores nos EUA demonstram preocupação de que a China ameace o domínio militar americano no Pacífico. O sr. teme o desafio militar chinês?
BRZEZINSKI - Não há dúvida de que a relação entre os EUA e a China tem importância enorme, talvez central, para os dois países. E eu sei que a China, em longo prazo, está destinada a ter uma corporação militar cada vez mais poderosa. No entanto, acho que, neste estágio, análises alarmistas não são acuradas nem propiciam a manutenção de uma relação bilateral estável e responsavelmente cooperativa.
FOLHA- O século 20 foi o século americano. O sr. acredita que os EUA terão a capacidade de manter seu papel proeminente nas questões internacionais no futuro próximo?
BRZEZINSKI - No futuro próximo, com certeza. Os EUA não estão se preparando para abdicar. Mas o futuro próximo são no máximo 20 anos. O que virá depois é impossível prever com confiança. Mas uma coisa é clara para mim: se a atual proeminência da América entrasse em declínio rápido, todo o mundo seria lançado no caos político e econômico.

quarta-feira, abril 07, 2010

DISCUSSÃO DA FORÇA: General diz que supostos torturados na ditadura só querem ganhar bolsa

Pedrao inicia a discussão:


Aqui vai uma entrevista com um general da ditadura militar... Eu confesso que a princípio até me sinto estranho ao publicar um sujeito desse na força, mas é um argumento, mesmo discordando de quase tudo, considero alguns argumentos válidos...Além disso , parece que o mais sensato e pensar que não há uma verdade absoluta, mas uma construção...Pra mim, a verdade se encontra mais no consenso, mas que se chega a partir dos embates, do discenso...Essa reportagem, de algum modo , contribuiu para se chegar numa "verdade".

Agora, é uma palhaçada o general negar que houve torturas, esse o aspecto mais repugnane da ditadura militar...Posso até aceitar que a opinião pública pode exagerar , mas há inúmeros relatos, livros ( como o Brasil Nunca Mais que se baseia em inquéritos policiais, portanto contadas por eles próprios ) , e etc que provam a ocorrencia das torturas...

Outra palhaçada é o cara afirmar que não houve exilados, mas fugitivos...Para ele ninguém foi expulso do país , mas saíram pq quiseram ...

Qto ao que tiro de argumento positivo dos militares é o fato de que não se pode ter uma visão maniqueísta do conflito..Se houve ditadores, houve tb os terroristas,que mataram inocentes e etc...E do mesmo modo que uma tortura não pode ser justificado pelos fins almeijados , um atentado terrorista tb não...

E um argumento dele me deixou intrigado : Será que no futuro iremos olhar com bons olhos para esse período, com a justificativa de que impediu um regime comunista e etc?? A ditadura pode até ter tido tal funçao ( e penso que essa idéia tende a crescer com o tempo ) , mas pela forma como se fez , pra mim, não dá pra elogiar esse período...Torço para que a tortura não seja relativizada no futuro....


http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1556374-17665,00-GENERAL+DIZ+QUE+SUPOSTOS+TORTURADOS+NA+DITADURA+SO+QUEREM+GANHAR+BOLSA.html

Eu concordo em parte com suas afirmações neste caso, mas acho que quem tinha que agir não era o exército e sim a justiça, na hipótese que vc aventou de quebra de preceitos constitucionais... acho que o golpe não é uma boa alternativa, já que ele, em si, já é uma quebra de tais preceitos...


--
Luis Henrique


"Uma verdade por dia... Um mundo por sensação... Estou triste. A tarde está fria. Amanhã, sol e razão." (Fernando Pessoa)





Responder Pedro Castro para forca-popular
mostrar detalhes 14:19 (5 horas atrás)


Primeiro, a Uniao Sovietica nao se transformou numa potencia desenvolvida.....No maximo gerou uma potencia militar, mais nada.... Que os paises da ex Uniao Sovietica nao sao desenvolvidos estah claro, basta ver a Russia.....O patamar de vida por lah nao chega perto do europeu ou norte-americano e estah mais proximo do brasileiro.....Portanto, nao ser iluda com os planos stalinistas, eles nao geraram riqueza...Mais ainda, a Russia saiu da ditadura sovietica tambem com uma decada perdida (procure saber sobre o desempenho economico da Russia na decada de 90)....Saiu com um ambiente democratico/politico ainda pior que o brasileiro; em particular, a Russia estah constantemente flertando com tendencias autoritarias (Putin!) e atualmente tem graves problemas separatistas....

Quanto a democracia, sou defensor dela mas com uma ressalva.....A democracia nao deve ser usada para agredir os direitos individuais....O direito a propriedade privada, a livre expressao, a livre associacao, etc nao podem ser questionados pela maioria democraticamente eleita.....A liberdade individual se sobrepoe a democracia; os direitos fundamentais do individuo sao mais importantes que a vontade da maioria....


2010/4/6 Luís Henrique Diniz
- Mostrar texto das mensagens anteriores -


Eu concordo em parte com suas afirmações neste caso, mas acho que quem tinha que agir não era o exército e sim a justiça, na hipótese que vc aventou de quebra de preceitos constitucionais... acho que o golpe não é uma boa alternativa, já que ele, em si, já é uma quebra de tais preceitos...


--
Luis Henrique


e-mail: lhdiniz@yahoo.com.br
twitter: @lhdiniz


"Uma verdade por dia... Um mundo por sensação... Estou triste. A tarde está fria. Amanhã, sol e razão." (Fernando Pessoa)

--

Para mim a democracia não prescinde desses direitos, até porque são eles que garantem independência para colocar suas posições perante ela...


--
Luis Henrique

-- Responder Hugo para FORÇA
mostrar detalhes 14:43 (5 horas atrás)


Nossa sociedade vive do contratualismo, então legitimidade
necessariamente esta associada com apoio da maioria.
O fato de que você "entende" que os militares estavam em desacordo com
o presidente e até vê "justificativas" para um golpe demonstra um
apoio passívo a algo absolutamente intolerável: A violação nua e crua
da democracia brasileira e das aspirações coletivas da maioria da
população. O exército não tem papel de poder moderador em nenhuma
sociedade democrática, e nem deveria ter pois tem vida política
própria...
"As Classes médias" não estavam com a ditadura e os setores que
estavam não correspondiam a maioria da população de maneira alguma, o
que vimos mesmo foi uma situação de imposição de uma agenda política
por uma minoria, um golpe, mascarada de revolução, e vemos ainda hoje
pessoas tentando promover essa noção, mesmo depois que a opinião
pública já chegou a conclusões definitivas sobre os acontecimentos.
Sinceramente, a maioria dos seus posts são contaminados por essa visão
maniqueísta que você acusa a opinião pública de ter, você vê tudo que
tenha caráter esquerdista como mal e vê uma necessidade de combate
retórico direta ou indireta, o que é bem evidenciado por sua afirmação
de que "só porque os militares foderam com o país, não deveríamos
enaltecer seus opositores". Não acho que você é ingênuo e desconhece a
natureza da utilização da "força" na política, e que acha de maneira
alguma ser possível apoiar "partidos" inexistentes em disputas
políticas, Você vê "a esquerda" como inimigos maiores e claramente
prefere a presença dos militares.
Não acho que pessoas como Dilma Roussef ou Fernando Pimentel
recorreriam ao "terrorismo" em situações diferentes da imposição de
uma agenda política estrangeira a realidade brasileira, digo
estrangeira porque foi necessário os apoio político, econômico e
logistíco estrangeiro para implementar essa política e mesmo assim não
se conseguiu convencer a população, houve um reconhecimento de
incompetência e a força bruta teve de ser utilizada. Essa força bruta
necessariamente impedia pessoas como Dilma e Pimentel de promover suas
idéias, e necessariamente os empurrava a ilegalidade. Vemos hoje
claramente isso, a ditadura acabou e a antiga oposição armada
participa de forma saudável do processo político, sem recorrer a
manobras ilegais em geral.


On 7 abr, 00:27, Pedro Souza wrote:
> Vou comecar por aqui :
>
> "A melhor maneira de "salvar" a democracia é garantir que o
> processo político prossiga (legitimamente) independentemente da
> direção em que caminha."
>
> Exatamento o que eu penso....Mas o que pra vc significa ser legítimo ? Pra mim, essa legitimidade tá ligada ao processo eleitoral e constitucional, a grosso modo.... Bom o jango levou uma proposta de emenda à constituição para fazer a reforma agrária...Mas nesse meio tempo , ele assina um decreto dizendo estar instituído a reforma agrária( no famoso comício )..Ai pra mim está o grande erro dele, pois foi uma decisao arbitrária, ou sejam reforma na marra , custe o que custar - isso não é , como vc diz, a sociedade de livre e comum acordo ( esse acordo ocorre ou no processo constituinte ou no legislativo ).... Como eu já disse antes, a democracia , pra mim, pode abarcar tanto o capitaliso, quanto o socialismo, como qualquer outro tipo de modelo...
>
> Mas é claro que o golpe não ocorreu devido a essas questões de legalidade ou institucionalidade que eu mencionei, basta lembrarmos que os militares impediram o jango , que esta na china, de voltar para o país...Ou seja, já havia o desejo do golpe, o que não invalida essa justificativa ( na verdade , usando a expressao do zumba , o que tinha ali era um fla-flu )...E eu torço pro juiz hahaha..., ou tento torcer..
>
> Agora não entendi sua frase : " Você não está elogiando a ditadura, somente acha que o golpe
> militar foi justificado" ....É uma crítica , no sentido de mostrar uma incoerência minha ? Se for , eu acho que vc não entendeu meu ponto..
> Eu não acho que o golpe foi justo , mas que tb havia justificativas para sua ocorrencia... Isso não siginifca que eu apoie o golpe. E além disso , posso apoiar o golpe e ser contra a ditadura... Ou seja, posso entender que os militares devam intervir quando há uma arbitrariedade do presdente, mas não concordo que deva ficar nem mesmo um ano no poder e que encoste um dedo sequer em algum preso, e outras tantas barbaridades...
>
> Eu acho que devem ser analisados sempre as justificativas de ambos os lados, e como disse, isso não é feito no Brasil...De acordo com a história majoritária, de maneira geral, a ditadura foi um golpe articulado pelos eua para conter o perigo comunista na Al e ponto....Bom não digo que isso é falso, mas digo que tb haviam setores da populaçao brasileira que eram a favor do golpe , e consideravam o governo jango em direção a um golpe tb - e tais justificativas, como as que eu coloquei quanto as reformas do jango - não vejo nos livros de história.... Como o marcelao bem disse, até certo período a classe média estava com a ditadura ...
>
> Aqui vc disse : "A opinião pública, a seu ver, enaltece o "terrorismo de esquerda"
> possivelmente porque o mesmo não estabeleceu um serviço nacional de
> inteligência para espionar a população, não utilizou de violência
> deliberadamente contra setores da sociedade civil e nem utilizou de
> tortura. Coisa que o de direita fez. "
>
> Eu acho que ai entra no que eu disse no texto anterior sobre uma visão maniqueísta da opiniao pública...O fato dos militares terem feito tudo isso que vc falou ( e o que justifica todas as críticas e objeções ) não significa que deve-se enaltecer o outro lado...Sim, pra mim se colocar os dois lados do conflito armado em uma balança, é claro que os militares vencem de goleada ( no sentido negativo), não preciso explicar isso. E ai concordo com vc, talvez essa disparidade seja a causa desse enaltecimento...Mas não acho que deveria ser assim , e por isso critico...
>
> Eu utilizei a questão do chávez de modo hipotético, mas baseado na realidade do brasil ditadura...Seria como eu dissesse : Imagina vc em 68, o que faria ? Qto a Honduras acho que é uma argumetação mais complicada mesmo de se fazer.... Mas de fato,houve , concretamente em ambos os casos um golpe alegando "salvar a democracia "...Mas com desdobramentos distinto...
>
> ____________________________________________________________________________________

Agora só para acrescentar, quem violou os direitos individuais, no caso braslieiro, foram os militares...


--
Luis Henrique


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"Uma verdade por dia... Um mundo por sensação... Estou triste. A tarde está fria. Amanhã, sol e razão." (Fernando Pessoa)

Responder Encaminhar

Responder Hugo para FORÇA
mostrar detalhes 15:06 (5 horas atrás)


A União Soviética teve o desenvolvimento econômico mais acelerado que
o mundo já viu entre 1928 e 1950, mesmo passando por uma guerra
mundial que matou 15% de sua população (24 milhoes de pessoas),
destruiu infraestrutura e e cidades inteiras e forçou a realocação de
indústrias bélicas e civis para o leste. "Saiu" da ditadura
estalinista com a morte de Stalin, Kruschev já tinha como programa
político a liberalização da união soviética e tentava reestabelecer
laços com o ocidente, o que culminou anos mais tarde com gorbachev.
A união soviética passou por crises econômicas bem antes dos anos 90,
passou por um período de grande estagnação nos anos 70 que foi
consequência direta de planejamento mal feito por 20 anos. Mas
desenvolveu 100 anos em 10, no perído de 1928 a 1938. Era líder global
em exportação de diversas matérias primas, desenvolveu indústrias
nacionais de commodities competitivas, criou uma economia de escala e
virou liderança político-econômica no mundo devido a isso. É a parte
que putin (e a maioria dos russos) admira em Stálin, quer projetar a
rússia internacionalmente a uma posição de liderança novamente (putin
é um crítico ávido ao socialismo, sempre se manifesta nesse sentido em
davos, mas considera o desmantelamento da união soviética um dos
maiores fracassos geopolíticos que a rússia viveu). A opinião pública
russa nunca favoreceu a democracia, veio de um regime tradicionalista
com raízes medievais e profunda penetração na mentalidade coletiva, de
caráter absolutista, passou por uma revolução socialista que se tornou
uma ditadura e se "liberalizou" nos anos 50 e depois definitivamente
nos anos 90 para se transformar em uma ditadura capitalista
"presidida' por Putin. O autoritarismo russo não tem nada a ver com o
socialismo, é uma característica da política local.


Quanto as ressalvas com relação a democracia, não acho que uma
democracia é verdadeiramente completa enquanto existir subordinação
econômica na sociedade. Acho sim que o direito a propriedade, livre
expressao, livre associadao e direitos individuais devam ser
preservados, mas não considero meios de produção propriedade
individual. São bens coletivos, coisa que vemos claramente quando
temos situações de crise e o contribuinte paga para melhorar a
condição dessa "propriedade privada".
Não considero também que roubo se equivala a propriedade. Ninguém tem
direito a propriedade de algo que extorque de massas de trabalhadores,
por um exemplo. Cada um deveria ter direito sobre o que produz ou o
equivalente em outros commodities.


On 7 abr, 14:19, Pedro Castro wrote:
> Primeiro, a Uniao Sovietica nao se transformou numa potencia
> desenvolvida.....No maximo gerou uma potencia militar, mais nada.... Que os
> paises da ex Uniao Sovietica nao sao desenvolvidos estah claro, basta ver a
> Russia.....O patamar de vida por lah nao chega perto do europeu ou
> norte-americano e estah mais proximo do brasileiro.....Portanto, nao ser
> iluda com os planos stalinistas, eles nao geraram riqueza...Mais ainda, a
> Russia saiu da ditadura sovietica tambem com uma decada perdida (procure
> saber sobre o desempenho economico da Russia na decada de 90)....Saiu com um
> ambiente democratico/politico ainda pior que o brasileiro; em particular, a
> Russia estah constantemente flertando com tendencias autoritarias (Putin!) e
> atualmente tem graves problemas separatistas....
>
> Quanto a democracia, sou defensor dela mas com uma ressalva.....A democracia
> nao deve ser usada para agredir os direitos individuais....O direito a
> propriedade privada, a livre expressao, a livre associacao, etc nao podem
> ser questionados pela maioria democraticamente eleita.....A liberdade
> individual se sobrepoe a democracia; os direitos fundamentais do individuo
> sao mais importantes que a vontade da maioria....
>

> 2010/4/6 Luís Henrique Diniz

>
> > Eu concordo em parte com suas afirmações neste caso, mas acho que quem
> > tinha que agir não era o exército e sim a justiça, na hipótese que vc
> > aventou de quebra de preceitos constitucionais... acho que o golpe não é uma
> > boa alternativa, já que ele, em si, já é uma quebra de tais preceitos...
>
> > --
> > Luis Henrique
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> > "Uma verdade por dia... Um mundo por sensação... Estou triste. A tarde está
> > fria. Amanhã, sol e razão." (Fernando Pessoa)
>

Eu só gostaria de fazer uma colocação: na época da ditadura, havia sim uma boa parte da população que apoiou a ditadura... é difícil julgar se era ou não a maioria, tendo em vista que nos anos anteriores houve uma grande alternância entre posições relativamente radicais entre direita e esquerda, o que pode denotar uma relativa divisão na sociedade... mas adesão de uma boa parte da sociedade ao golpe é fato, e levou até o Jabor a dizer que no fim das contas os comunistas da época foram "derrotados pos suas tias"... mas eu acho que é aqui que se insere a discussão que estamos tendo sobre democracia... mesmo que uma maioria absoluta apoiasse a ditadura, a democracia não pode prescindir de direitos fundamentais, a maioria não pode impôr seu ponto de vista sobre esses direitos, porque são eles mesmo que garantem que haverá independência da sociedade para tomar decisões... os regimes comunistas em grande medida defendiam que a democracia viria após mudanças culturais que a viabilizariam, foi em cima desse tipo de idéia que criou-se projetos sangrentos como foi a revolução cultural na China... quer dizer quando todos estivessem cooptados, e dependentes de um regime, aí sim se concederia o direito a opinar, quando todos tivessem a mesma opinião, naturalmente uma condição utópica, e a meu ver indesejável...


Luis Henrique



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Responder Luís Henrique Diniz para forca-popular
mostrar detalhes 15:49 (4 horas atrás)


Eu quis dizer que quando se rompe os direitos fundamentais, o contrato social está em grande medida sustado... frente a um governo que te persegue, a vc e sua categoria, só nos resta lutar... o que não é muito diferente da ideologia americana das milícias... o único argumento minimamente razoável para o direito às armas...

segunda-feira, abril 05, 2010

Leis da política (19/12/1999)

Em memória de um grande sábio...

Relembrado e registrado pelo economista Ricardo Bergamini:

*Roberto de Oliveira Campos

Era uma crespa noite de inverno londrino. Eu tinha convidado para um jantar na embaixada brasileira, ao fim dos anos 70, o grande filósofo liberal francês Raymond Aron e dois sociólogos radicados na Inglaterra, Ralf Dahendorf e Ernest Gellner, este último professor de José Guilherme Merquior, meu conselheiro de embaixada. Na curva do conhaque, quando filosofávamos sobre nominalismo, realismo e existencialismo, contei uma piada que Aron achou divertida. Era a definição de "realidade" por um irlandês, revoltado pela interrupção de suas libações alcoólicas à hora do fechamento dos pubs. "A realidade", disse ele, "é uma ilusão criada por uma aguda escassez de álcool".

Quando partiram os hóspedes, resolvemos, Merquior e eu, em rodadas de uísque, testar duas coisas. Primeiro, a teoria irlandesa do realismo alcoólico. Segundo, nossa capacidade de recitarmos, de memória, aquilo que poderíamos chamar de "leis de comportamento sociopolítico" de variadas personagens e culturas. Alternávamos nas citações, que registrei num alfarrábio que outro dia desenterrei numa limpeza de arquivos. Ei-las:

A lei de Lenin: "É verdade que a liberdade é preciosa. Tão preciosa que é preciso racioná-la".

A lei de Stalin: "Uma única morte é uma tragédia; 1 milhão de mortes é uma estatística".

A lei de Krushev: "Os políticos em qualquer parte são os mesmos. Eles prometem construir pontes mesmo quando não há rios".

A lei de Henry Kissinger: "O ilegal é o que fazemos imediatamente. O inconstitucional é o que exige um pouco mais tempo".

A lei de Franklin Roosevelt: "Um conservador é um homem com duas excelentes pernas, que contudo nunca aprendeu a andar para a frente".

A lei de Lord Keynes: "A dificuldade não está nas idéias novas, mas em escapar das antigas".

A lei de Bernard Shaw: "Patriotismo é a convicção de que o país da gente é superior a todos os demais, simplesmente porque ali nascemos".

A lei de Hayek: "Num país onde o único empregador é o Estado, a oposição significa morte por inanição. O velho princípio de quem não trabalha não come é substituído por um novo princípio: quem não obedece não come".

A lei de Mark Twain: "Um banqueiro é um tipo que nos empresta um guarda-chuva quando faz sol, e exige-o de volta quando começa a chover".

A lei de Lorde Kelvin: "Grandes aumentos de custos com questionável melhoria de desempenho só podem ser tolerados em relação a cavalos e mulheres".

A lei de Charles De Gaulle: "As promessas só comprometem aqueles que as recebem".

A lei de John Randolph, constituinte na Convenção de Filadélfia: "O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros".

A lei de Getúlio Vargas: "Os ministérios se compõem de dois grupos. Um formado por gente incapaz, e outro por gente capaz de tudo".

A lei do governador Mario Cuomo, de Nova York: "Faz-se campanha em poesia e governa-se em prosa".

A lei de John Kenneth Galbraith: "A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso".

A lei de Sócrates: "No tocante a celibato e casamento, é melhor não interferir, deixando que o homem escolha o que quiser. Em ambos os casos, ele se arrependerá".

No último uísque, Merquior me contou um chiste anônimo, que circulava em Londres: "A natureza deu ao homem um pênis e um cérebro, mas insuficiente sangue para fazê-los funcionar simultaneamente". Ao confidenciar a Merquior que pretendia aposentar-me do Itamaraty para ingressar na política, lembrou-me ele a lei de Hubert Humphrey, vice-presidente dos Estados Unidos na administração Lindon Johnson, que dizia: "É verdade que há vários idiotas no Congresso. Mas os idiotas constituem boa parte da população e merecem estar bem representados".

Tendo em vista minhas ambições políticas, combinamos fabricar conjuntamente uma lei, que passaria à posteridade como a lei Campos/Merquior: "A política é a arte de fazer hoje os erros do amanhã, sem esquecer dos erros de ontem". Ao nos despedirmos, já mais sóbrios, lembrei-me de duas leis. A lei do King Murphy, que assim reza: "Não estão seguras a vida, a liberdade e a propriedade de ninguém enquanto a legislatura estiver em sessão". E a lei do sábio Montesquieu, o inventor da teoria da separação de poderes: "O político deve sempre buscar a aprovação, porém jamais o aplauso". Em minha vida política no Senado e na Câmara procurei descumprir a lei do King Murphy e cumprir a lei de Montesquieu. Sem resultados brilhantes nem num caso, nem no outro...


*Defensor apaixonado do liberalismo. Economista, diplomata e político também se revelou um intelectual brilhante. De sua intensa produção, resultaram inúmeros artigos e obras como o livro A Lanterna na Popa, uma autobiografia que logo se transformou em best-seller. Foi ministro do Planejamento, senador por Mato Grosso, deputado federal e embaixador em Washington e Londres. Sua carreira começou em 1939, quando prestou concurso para o Itamaraty. Logo foi servir na embaixada brasileira em Washington, e, cinco anos depois, participou da Conferência de Bretton Woods, responsável por desenhar o sistema monetário internacional do pós-guerra.